domingo, dezembro 23, 2012

Suma.

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  Não te ter por perto está me deixando vulnerável, ando tropeçando, bambeando as pernas, caindo aos cantos e sem ânimo nenhum para levantar. Estou descontando tua falta em carência, estou me prendendo em pessoas que nunca me cativaram, estou formando laços em qualquer nó. Meus ciúmes estão explodindo com minha cabeça e minhas palavras, está quase incontrolável e tudo isso porque estou com medo de perder mais pessoas em minha vida, assim como perdi você. Estou fraca e melancólica e odeio admitir isso, mas meus sentimentos negativos estão à flor da pele. Odeio dizer também que você está me fazendo sentir tanta saudade como nunca pensei que sentiria, ah, odeio quando você me vence! Mas se quer mesmo ir, então vai, que eu me fodo aqui.

Flávia Andrade

domingo, dezembro 02, 2012

Ainda

  

    Eu ainda tenho aquela foto sua em cima da cômoda que você fez no meu primeiro aniversário. Eu ainda tenho meu chaveiro que te fiz "papai meu herói" embaixo do meu travesseiro. Ainda guardo fotografias, lembranças e memórias no guarda-roupas junto com minhas bagunças. Pouca roupa, muita acumulação de desnecessariedades. Eu ainda estou crescendo, aprendendo, vivendo. Ainda respiro e lido com o mundo. Ainda tento voltar para o que era bom. Eu lembro quando eu tinha você, o Lion nosso cachorrinho velho qual amavas e a calçada ainda não refeita por suas mãos, ainda tinha nossas idas à praia nos domingos, todas as moedas ganhadas por dia pra comprar pequenos cadernos para escrever meus sonhos infantis. Eu ainda tinha seus sorrisos, seus sermões, seus jeitos loucos de ser pai. E eu sei que você (que nunca me permitiu lhe chamar de senhor, pois éramos antes de pai e filha, amigos.) ainda me cuida e me nina todas as noites e antes que eu possa derramar lágrimas de sua falta, você me conforta. Ainda te sinto aqui perto e te chamo. Resumidamente, apenas preciso de dizer que eu ainda te amo e ainda não me sinto sozinha.

Flávia Andrade

Não me deixe

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   Me abrace mesmo se eu não pedir, mesmo se eu não chorar nem protestar. Me sorria mesmo se eu não for engraçada, mesmo se eu não sorrir nem contentar. Se eu apenas deixar, apenas cair, apenas esquecer. Me faça nova, me renove, me recomponha, mesmo se eu desmontar em várias tentativas, mesmo se as peças se deslocarem e eu afrouxar meus parafusos. Eu posso tentar fugir de ti, mas quero ser presa novamente em teus braços. Eu posso tentar abandonar-te, mas é porque há muito tempo me abandonei, não sei lhe ter, então não espere sinais, me tenha como se eu não pertencesse a mais ninguém. Segure em minhas mãos enquanto eu me afasto, e não me permita ir embora mais uma vez. Eu não aguentaria as consequências.

Flávia Andrade

Em sonhos

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    Deixe-me sonhar você mais esta noite e te trazer próximo a mim ao menos neste descanso, ir para esta viagem intangível que por ser limitada no que se reconhece sensitivo permite cruzar qualquer barreira. Em sonhos qualquer alguém pode ter uma casa na árvore, um piquenique no parque ou um foguete lançado no espaço, e pode ter quantas e quais companhias quiser. É por essa razão que te sonho. Se enquanto real torna-se tão impossível alcançar, que em sonhos as impossibilidades tornem-se dispensáveis a qualquer loucura, indagável ou não. Se enquanto real um mínimo sorriso é inefável, que em sonhos preencha capítulos de sua beleza e doçura, como as muitas páginas que compõem cada desejo meu.

Flávia Andrade

Porre

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   Ele atenta minhas mãos
   ao insulto, à arte.
  A escrever bobagem,
   inutilidade.
 
   Eu diria coisas tolas a mais
    mas basta dizer
   ah, que porre!
   Que porre você me traz.

Flávia Andrade

Eu sinto muito

   Eu sinto sua falta mais do que um carro deixando sua estrada, mais que um lápis deixando sua folha, mais que uma obra deixando sua inspiração. Eu sinto noventa por cento de mim sendo deixado em outro universo, em outro canto, outro mar, profundo demais para quem não sabe nadar. Eu queria nadar. Eu sinto você buscando pedaços de mim a cada instante que te penso, que te sonho e não te tenho. Eu sinto muito não sentir você realmente, não te tocar, te abraçar, te amar corpo a corpo. Eu sinto essa distância crua destruindo o sabor de te amar, amargurando meus sonhos, minhas vontades. Me deixando crua também, sem espaço, mas com um vazio. Um vazio que não cabe nada, que se lotou de saudades. Um vazio feito porque você levou pedaços de mim durante todos esses anos. Um vazio preenchido invisivelmente porque você não voltou nem os devolveu.

Flávia Andrade

terça-feira, outubro 30, 2012

Sobre as saudades de você, pai

  Não gosto de sentir esse verbo se conjugando, esse indo, esse endo, esse findo, esse te perdendo. Eu sei que fisicamente já se foi, mas continua aqui dentro em meu coração e o machuca cada vez mais, porque sou fraca e não posso deixá-lo ir. É como se todo dia fosse o seu dia, e eu quero comemorá-lo ao seu lado, mas nem sei pra que lado devo olhar... Pai, onde está? Sei que se aqui estivesse, comigo cantaria mais alguma canção e iria tentar frustadamente me ensinar a assoviar. Nunca consegui. Sei que se aqui estivesse, comigo gargalharia de mais uma piada, que talvez eu nem entendesse, mas ah, teu sorriso! Pai, por que foi?
   Sua princesinha (só porque você era um herói e me salvou de um castelo chamado vida) completou mais um ano de vida e pensa: Pra que vida se a morte já a marcou? Se a morte já o levou e tão longe foi que não posso te trazer de volta? Pra que vida? Se a morte já está comigo. Me desculpe por pensar essas bobagens, mas...
   Se parássemos, sentássemos, em qualquer banco, e iniciássemos uma conversa... Ah, eu teria tanta coisa para  contar. Dizer que os primeiros passos que me ensinou, levou-me a belos caminhos e as primeiras palavras que me disse completou muitos de meus textos. Pai, não quero tornar isso mais difícil do que já é, mas eu sinto tanto a sua falta.
   Qualquer melodia, qualquer sorriso, qualquer um que não seja um simples qualquer. Pode me entender? Especialmente você, especialmente meu pai, não posso encontrar, nem ouvir, ver, sentir... Sentir você aqui perto de mim e confiar. Respirar aliviada e não precisar repetir essas palavras para que entenda que se está tão longe, preciso que se aproxime novamente, eu preciso de você!

sexta-feira, agosto 31, 2012

Liberdade que os 11 deixou


Se eu olhar as nuvens
não verei mais desenhos modelados
verei minha infância dando adeus
a uma menininha alta
que não quer crescer.

Se eu olhar as nuvens
não verei mais corações se formando
verei um cenário de decepções mostrando
a uma garotinha imatura:
é hora de viver.

Eu, tão menininha esperei
pelos quinze
pelos dezoito
pelos trinta
mas não gostei
quando ali, sozinha, cheguei.

As responsabilidades que assumi
as irresponsabilidades que deixei,
as lembranças que a qual sorri
agora, em um pacote, levei.

Se eu olhar o céu agora agora, os passarinhos
a liberdade deles, ah, como cobiçarei
a liberdade de mocinha correndo, aprendendo sozinha a voar
para cada canto, cada luar que pudesse alcançar

Se eu olhar o céu agora, em um triz
não terei mais tempo para desvendar desenhos em nuvens
terei celular tocando, alarme disparando, lembretes apitando
de uma vida corrida de mulher
aquela da idade que eu quis

Flávia Andrade

quinta-feira, agosto 30, 2012

Des(espero)

Desejando
aos poucos
mutilando
as mentiras que omitem
sorrisos me testando,
procurando respostas
para jogos,
desafios
apostas

Apostas de te ter
jogos que te vendem
e desafios que te perdem.

Querendo debalde fugir
deles a me invadir.

Eles, os que manipulam
que não sentem,
mentem
os olhos, são eles
quem falam.

Mostram o que não quero
em minutos de apelo
desespero.
Des-espero.
Não espero sen-ti-men-to.
sem-ti-minto
sem-ti-medo

Flávia Andrade

Decifrar

- Você não sorriu hoje,
ele disse e me abraçou
talvez eu devesse receber tal abraço,
talvez eu devesse sorrir,
mas não o fiz.

Rapidamente chorei desesperada
- Você não está bem.
É claro que não!
- Que mal me pergunte...
Não pergunte!

- Quer alguma coisa?
Cuide de mim!
Não fez nada, não leu meus pensamentos
Sempre esperei que o fizesse,
Pois nunca tive voz.

Voz para pedir, responder, voz para ser
Só tinha letras escritas, frases elaboradas,
E cadernos, versos... Só tinha cartas,
Que nunca recebera,
Nem imaginava!

- Fique bem.
Não ficarei se não ajudar!
Diga, diga que o quer
Diga que o ama
Peça que fique
Implore que não vá.

Solucei.
Isso não é frase nem pedido
Não há como interpretar
Não há poderes, mas entenda
As promiscuas de um coração ferido.

Ah, como odeio tal loucura
De prender as palavras enquanto
diz ser poeta

Mas de repente fico assim
Meus atos não obedecem
As falas que se tecem
só em papel

Flávia Andrade

quarta-feira, agosto 29, 2012

Guarde este segredo

Eu deveria estar me fazendo de forte,
mas essa música,
mas essa noite,
está te lembrando como nunca...

Eu devo ligar, devo sim, dessa vez
coração e cérebro juntos, amor e razão, unidos
dizendo: Liga Flávia, pára de ser orgulhosa!
E eu ligo?

Fiz promessa, amarrei santinho, usei a cor certa
virada de ano, champagne e lágrimas,
metas, deveres a cumprir e problemas a esquecer
desculpa por ter sido um desses.

Não ligarei, buscarei ou irei atrás
não, nem, nunca.

Eu deveria estar me fazendo de forte,
mas enquanto prendo tudo aqui dentro
quero que saiba que é impossível
não te lembrar em algum momento.

Flávia Andrade

Desentendimentos

Tentando,
pensando,
desistindo.

Fazendo da conversa morta,
uma lembranças tão viva

Chorando,
evitando,
deixando.

cansando de indagar,
vendo os dias passarem
caindo em cacos,
deixando pedaços,
não havia como aguentar.

Partindo,
despedindo,
indo.

Nada como eu sonhava,
desculpe não deixar que respondesse
desculpe não deixar que dissesse
qualquer coisa que pudesse
me convencer que errada estava.

Errando,
ignorando,
levando.

Flávia Andrade

domingo, agosto 19, 2012

Armas e escudos


   Abotoei os botões da camisa e junto com eles, todo o meu orgulho, juntei tudo o que tinha, sufoquei-os o quanto coube. Guardei como escudo tudo o que aprendi vivendo e convivendo, as decepções, mágoas, todas bem presas pela camisa totalmente abotoada. Ergui a cabeça. Seja forte, pensei. Talvez ninguém merecesse ver meus olhos desfocados, meu sorriso ofuscado e as marcas de lágrimas preenchendo todo o rosto. Uma maquiagem, uma água fria, nada poderia resolver. Assim como outra pessoa não poderia substituir aquele que se foi.
   Não era fácil ter que sair e lidar com as pedras e pessoas que eu pudesse encontrar, mas que seja, ninguém nunca me disse que algo nessa vida seria fácil e eu já estava acostumada, então... O que mais eu deveria temer? Um tropeço, uma queda, um fantasma? Seja forte. Dessa vez, perdida no mundo, recebendo olhares mais uma vez, sentindo as palavras sendo atacadas, e eu não poderia simplesmente fechar os olhos e fugir. Não era um lugar só meu. Por um momento pedi a Deus baixinho que me trouxesse você de volta. Se estivesse no meu lado naquele instante, eu teria agarrado a sua mão e apertado bem forte para simplesmente aguentar e seguir com o meu caminho.
   Dizer que não se importa com o que os outros vão pensar, parece uma boa maneira de ser hipócrita enquanto tenta fingir um sorriso. Então digo, eu realmente me importava e assim, deixava de ser livre.

Flávia Andrade

Revide

Crer que acertava enquanto insistia no mesmo erro foi o paradoxo que trouxe a decepção com meu próprio ser. Não tenho mais o pés no chão para que possa fugir e muito menos asas para tentar voar. Não tenho mais mentiras e máscaras para fingir, nem passos no caminho feito para saber voltar. Não sei mais encontrar as palavras que possam me tirar esse peso que estou carregando.
   Eu costumava pensar que na vida tudo tinha uma razão para ser e acontecer. Mas agora, sinceramente, tanta coisa se passou e aconteceu... Estou confusa e sem razão. Minhas memórias tentam encontrar respostas para toda essa angustia guardada. Se não sei nem quem eu sou, como poderei entender o que faço e sinto?
   Deus, se ainda está aí, pode me dar um sentido? Sem lados, sem oposição. Enquanto eu amo tentando não morrer. Se continua aí, Deus, leve-me de uma vez ou aniquile todo o horror dos meus passos desengonçados que não sabem para onde vão. Quem sabia? A dúvida era uma boa aliada, mas se até mesmo ela se calou por não encontrar nunca uma solução, como posso então, tentar seguir em frente? Esquecer não é possível e "nada pode o olvido com o forte apelo do não". Desculpa parafrasear qualquer rima de poeta, qualquer frase e dialeto. Eu estou enlouquecendo sem saber. Minhas palavras? Fugiram. Até elas tiveram forças para andar, correr, ir embora. Enquanto eu continuo no mesmo lugar desconhecido.

Flávia Andrade
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sexta-feira, agosto 10, 2012

Monodia deixada

  Fui amando assim, meio aos poucos e debalde subitamente me afastando. Tentando evitar mais uma de minhas decepções, mas em meio desses meus desatinos, fui amando, não notei a saudade, não queria os amores ínfimos, mas continuei me apaixonando. Tanto tempo foi que eu não queria ser amada, nem sequer me sentir assim. Não queria apelar declarações, nem o olhar baixo pro chão na volta pra casa, e os pensamentos voltados pro céu indo com o amor melancólico que sempre se torna.   Uma parte de mim ficava silenciosa voltando pro sofá da sala em meio a outros móveis supérfluos, enquanto outra parte ia com aquele perturbável amor de inverno. Se você soubesse que iria, se planejava que eu ficaria e se queria que nossos pés se desencontrassem, antes de se tornar inevitável, mesmo que sem planos, se não fosse um covarde, não iria dizer que me amava e nem me iludir em vão.
   Quando foi embora, com toda a frieza, que meu coração contigo não levasse. Quando foi embora, que antes de uma vez me matasse. Não me deixasse aqui morrendo assim, aos poucos. Se não fosse um egoísta.
   Amar e morrer agora são sinônimos. Antes de ir embora que não errasse na escolha de me deixar. Antes de fazer desse amor simplesmente algo acabado, que não me dissesse para te amar.
   Eu estou tentando abdicar. Desistir por vontade própria agora que você me forçou a sofrer.

Flávia Andrade


quinta-feira, agosto 02, 2012

Reflexo

Os monstros se assombram com meus medos
as portas se abrem e eles temem me assustar.
É uma contagem regressiva para o desespero.
Não há anjos, não há canção-de-ninar
que possa aveludar a escuridão.

É uma chantagem.

Os monstros não estão - e nem ficam -
embaixo da cama ou como penduricalhos no teto.
Não se escondem no guarda-roupas ou entre os brinquedos das crianças.
Não têm olhos grotescos, nem fazem barulhos estridentes.

Eles estão refletidos no espelho e sentem medo do meu terror.

É toda a raiva tida, todo o ódio guardado.
É a criatura pérfida que criei.
É isso que os assustam.
Eles não têm medo da imagem.
É a alma, escura e tenebrosa.
São as promessas mutiladas,
os perdões nunca ouvidos pelo orgulho.
São as palavras irrefletidas,
as mágoas perenes
e o sabor enfarado dos dizeres.

Tudo o que fora insolente, ignóbil e infenso.
 
Sentem medo do meu terror
do que guardei no sorriso melancólico no olhar mentiroso.
Tudo o que espalhei pelo vento sussurrado e aniquilei.

Flávia Andrade

Vocabulário fleumático

 Leio o que na folha não se escreve
escrevo com as mãos manchadas de tinta
apenas o que os cegos podem ler
 Reflito a dor do mundo e
 no mundo sinto prazer
refaço as caras dos atordoados
rio das prosas que cá me trazem.

Meu vocabulário elide a certeza do que sou.
Fujo das curvas que fazem as palavras
conceberem o pecado da razão escrita
e embaralho com elas
um sete de copas, um As de ouro e a carta coringa.

Faço delas o significado de minha alma possuidora
de sete amores, uma riqueza e do sarcasmo incólume
sempre penetrando qualquer oração de sujeito composto ou simples.

Nada se faz presente quando me vem a lucidez.
Serei a vírgula e também o ponto.
Pois com ponto e vírgula termino e não;

Flávia Andrade

Abismo celeste

   Estou incólume neste abismo, nada se esfacelou ou estropiou e a luz de um serafim está diafamando-se em meus olhos. Estou oscilando para onde não posso chegar. Desconheço meu abrigo, sequer sei como o alcancei. Lembro de resignar a certeza de estar em casa;
   Esvaeci.
   Saí ruando, suscitando vida, justapondo o tangível... Saí célere e caí. Onde estou? É um abismo, mas qual? A quem pertence? É pitoresco, mas me assusta.
   Não quero voltar.
   O assombro tênue e merencório me traz forças e mantimentos para ficar. Quero este abismo incógnito e inefável.
   Não quero voltar.
   Perdoe-me se eu fechar os olhos e partir. Fique bem. É um abismo confortável que não me feriu. É o abismo celeste que me resgatou da vida tumultuada. Perdoe quando eu fechar os olhos.
   Quero ficar, então, adeus. Ao Deus, em Deus.

Flávia Andrade

quarta-feira, julho 18, 2012

Apologize

   Deixe-me pedir desculpas apenas pelo ato de começar, é difícil explicar, mas me desculpe pelo o que eu vou dizer. A culpa não é algo que você entenda e arrependimento não é minha linguagem, mas eu estou oscilando entre ambos. Para que eu possa sequer explicar, antes de dizer que eu estou tentando dar tudo o que eu tenho e entregar de forma que não voltem mais, deixe-me desculpar por não querer mais ser quem eu fui.
   Se você desistir agora, talvez nunca saiba porque é que errei. Não queria ser tola, mas me equivoquei. Então, antes me deixe pedir desculpas por me esquecer de acertar, por estar tão presa ao que eu fui e por não saber mudar. Não é questão de apenas esconder. A pressa de tentar ser uma pessoa diferente me fez flor velha, flor adormecida e insípida. Então, deixe-me desculpar sobre o que eu estive tentando mostrar, antes que meus gestos sejam em vão. Meu orgulho e minha promessa são debalde o que quero mostrar.
   Sua fé é uma incógnita, suas mentiras são pérfidas e sua esperança é insolúvel no que é findável. Então não faça com que eu me sinta uma confusão, e me deixe desculpar por ter te julgado. Antes que seja tarde e o tribunal se feche, deixe-me pedir para que um dia não torne o perdão esquecido.
   Eu devolvi tudo o que me deu, em pedaços, enquanto você despetalava meu coração. Uma rosa vermelha, célere escureceu e ninguém nunca iria entender o motivo. Quem foi que não cuidou da rosa? Então me deixe desculpar por não ser tão certa como pensei que iria ser. Se estamos juntos ou não, nada faz com que estejamos perto. E eu peço desculpas por não acreditar enquanto não vejo os teus olhos me encarando. Apenas fazer que isso desapareça mesmo que possível não resolveria, então me deixe pedir desculpas por não saber como terminar. Entrego uns instrumentos, toque qualquer nota, faça qualquer som. Palavras e ações -, perdoe -, não estão servindo para explicar que eu não sei mais quem sou, que eu não sei para onde vou, ou aonde vamos, e não sei nada sobre você agora. Estamos mudados e eu peço desculpa por não ter a coragem de te colocar no passado enquanto eu continuo caindo aos pedaços.

Flávia Andrade
Texto escrito inspirado - quase reescrito - nas músicas In Between e In Pieces do Linkin Park, ou seja, qualquer semelhança não é mera coincidência.

terça-feira, julho 17, 2012

Razões para cumprir

   Isso não se trata de onde estamos agora e de quem somos, é questão de cumprir. Você ao menos se lembra de tudo o que me disse? Das promessas poucas e seguidas de pedidos de confiança? Você me disse que eu deveria ter te dado uma razão para ficar, mas nem ao menos me deu tempo para respirar e repensar, apenas foi sem cumprir nada.
  Desde que você se foi, eu me pergunto se tudo o que prometeu foi tão supérfluo a ponto de que pudesse esquecer ou se foi tão imediato a ponto de simplesmente jogar tudo para o ar.  Pois eu acreditei quando você disse que seríamos ‘para sempre’ e emocionei-me ao ler suas palavras dizendo ‘juntos até o fim’. Pensando nisso, sinto vontade de gritar, esbravejar palavras de baixo calão, porque parece que você não entende que este não é o fim! Não, não acabou! Foi uma pausa, um pormenor... Por menor que foi. Não acabou, pois as promessas nos acorrentam, prendem nossas almas, nossas vidas e nossos corações, e vamos continuar juntos enquanto houver o único infinito deste mundo mortal... Enquanto houver amor. Aliás, isso não é razão para que fique? Estamos acorrentados por juramentos, e vai lutar tanto pra quebrar uma corrente enquanto pode sorrir, se sentar e fazer as coisas aconteceram do jeito que sempre foi? Do jeito que sempre fomos...

   Eu continuo aqui, você pode enxergar isto? Meu corpo permanece parado e taciturno, mas meus sentimentos transbordam aflorados e correm até você, eles querem te salvar. Eu quero te salvar! Deixe-me invadir seu mundo, como da primeira vez que conversamos. Lembra? Eu me entrosei de forma que você não pudesse fugir. Eu confesso, roubei seu coração sem que você pudesse evitar. Não sei se até hoje você conformou-se com tal fato, mas estarei ligada aos seus rumos enquanto eu não devolver tal preciosidade. Foi assim, que o motivo dos meus sorrisos foi apenas o fato da ocorrência dos seus.  Essa não foi uma razão? Eu acreditei que isso realmente importasse.
   Ousei a intrigar e confundir seu mundo, mas nem assim cessou a vontade de te amar verdadeiramente. E você... Oras, porque fez tal armadilha com meu coração? Por que não se decidiu se cuidaria dele duma vez ou se o esmagaria até que não existissem mais rastros por onde passei amando? Ou até mesmo odiando, não sei ao certo o quanto esta bomba ambulante que levo aqui dentro aprontou nessa minha sede de ruar.
   Esqueceu-se de como foi que tudo aconteceu  e o que nos prendeu até o que antes era belo? Eu guardei todas as palavras que me disse para uma último texto. O final não chegou, mas eu tenho que entregar tudo o que tenho. Meus pés não aguentam mais sustentar todo este peso de saudades, lembranças, memórias, paixões, amizades que levo aqui dentro. Pega. Leva tudo. Pode ficar com você. Afinal, minhas razões não foram o suficiente.
    Arrumei uma mala, está ali na outrora que vem chegando. Quando você notar a presença, saberá que é pra pegar e levar pra casa. Mas cuida bem, viu? Eu aguentei tudo isso calada e sorrindo, eu estivesse tentando consertá-las de forma que pudéssemos mais uma vez compartilhá-las, e você não deu a mínima. Agora cuide, pois são meus bens preciosos, alimentei-as com o brilho das estrelas que observei todas essas noites que nem ao menos pude ler seu ‘oi’. Pois você não se deu ao luxo de me procurar. Isso é questão de cumprir, lembra? Não cumpriu, velho amigo.

Flávia Andrade
Texto para a 127ª Edição Musical do Projeto Bloínquês

domingo, julho 08, 2012

Saudades Transbordadas

Entrego-me ao amor que nunca pensei sentir por alguém desta forma, deixo as lágrimas tomarem o meu rosto enquanto vejo imagens que descrevem perfeitamente nós dois, e eu simplesmente não sei como tudo isso foi acontecer, desde o momento em que você apareceu na minha vida, você mudou tudo e me fez uma pessoa diferente, e saiba que foi uma bem melhor, você me mostrou o verdadeiro significado de uma amizade e me ensinou a amar. Sem perceber me mostrou que com o amor, nós temos que ser cautelosos e delicados, amor é uma flor frágil que desabrocha em poucos jardins e poucas pessoas são capazes de recolher os primeiros botões. Você cuidou de mim como nunca alguém cuidou, você me disse as palavras mais belas que meu coração carente sempre quis ouvir, me fez sentir alegrias tão fortes que fazem chorar, me fez ter momentos tão belos que eu pensei que ia explodir de tanta emoção em uma mistura de amor verdadeiro com felicidade divina. Se alguém algum dia interessar-se por me descrever, quero que diga que essa menina, qual descreve com dificuldade, nunca conhecera alguém com um coração tão lindo quanto o do melhor amigo dela.
   Lágrimas de felicidade transformam-se agora de saudades, e meu maior desejo é correr apenas para afogar meu rosto em teu ombro e chorar como se não houvesse mais horas, nem dias, nem um mundo a nossa volta. Eu queria tanto, tanto te abraçar tão forte que você iria tentar até mesmo soltar-me e eu nunca iria me render do teu abraço. Eu queria agora te ligar, apenas para escutar tua respiração, e não importa quantos minutos passe, eu só queria saber que você estava aí.
   Ah amor, meu melhor amigo, meu anjo, minha alma gêmea, meu irmão, meu, só meu. Como eu penso em você, em seu abraço, no seu sorriso que poucas vezes vi, como eu sonho com seu carinho, e em poder bagunçar seu cabelo enquanto você deita no meu colo, como eu queria apenas um toque, apenas te ver. Eu preciso muito de você. Todo esse tempo, que pareceu décadas, que ficamos sem se falar nunca foram tão horrorizantes, pois eu simplesmente não sei viver sem você.
    Abri meu coração apenas para você, me entreguei de tal forma que ninguém além de nós entenderia. Fui para um universo só nosso e juntos tocamos as estrelas mais brilhosas, e elas sorriram para a gente. Você me mostrou a sinceridade de um sorriso simples e a doçura de uma risada abafada no meio da madrugada. Você foi o herói que salvou meu coração de uma frieza que me percorria antes de lhe conhecer. E agora, o amor da minha vida está indo, caminhando em um caminho oposto ao meu e eu não sou capaz de segurar. Você é capaz de perceber o quanto isso me dói? Nunca chorei por ninguém e neste momento estou desabando em lágrimas, mesmo sabendo que você realmente está aí do outro lado. Eu tô sentindo um aperto aqui dentro do peito, um nó que esmaga o meu coração como se fosse um pedaço de papel qualquer, tô sentindo algo me sufocando, e eu só quero correr... E chegar até você, mesmo sabendo que é impossível, saber que torna tudo isso mais difícil de lidar. Meu anjo, ah, como eu precisava de você aqui neste momento, nem que fosse por singelos cinco segundos, ou um minuto apressado. Eu só quero você. Meu melhor amigo, aonde está você agora? Ainda lembra de todas as nossas conversas? Lembra de quando choramos de felicidade como se não houvesse um amanhã capaz de nos derrubar? Você pensa em mim agora que penso tanto em você? Já está dormindo, amor? Ou também está perdido em pensamentos que parecem nunca se desligar?
    Apenas te ouvir é pedir muito? Eu sinto como se estivesse presa, como se toda minha liberdade estivesse sido dissipada, e eu não sei o que fazer. Então venha e salva-me, enquanto eu estou aqui arremessando estas palavras contra a tela e implorando a Deus que de alguma forma elas cheguem até você. Amor, sente um sinal aí, vai, sente no seu coração ou no âmago de sua alma que eu estou precisando de você, e vem correndo, por favor... Eu nunca precisei tanto de você como preciso agora, então vem...

Flávia Andrade
Texto para a 98° Edição Cartas do Projeto Bloínquês
1° Lugar!
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sábado, julho 07, 2012

Paredes e nós

    Não poderia ser diferente, apenas poderia ser. Você sempre desejou que eu fosse uma preciosidade inventada por seus contos de fadas enrustidos na carranca velha de um desalmado. Sempre quis que eu fosse a mocinha de um filme mudo, enquanto você era apenas um aspirante a vilão de filme caseiro.
  Foi de repente, na madrugada, que me levou para dentro de seu coração de gelo que nunca quis aceitar minhas palavras. Eu tentei dizer, tentei mostrar. E você pode simplesmente dizer que foi em vão, que eu era ingênua demais para dizer algo digno de ser escutado, mas foi sua ignorância que nunca teve a coragem de dar a cara a tapa e entender que poucas foram as minhas palavras, porém os significados delas escreveriam um livro e meio apenas para jogar seu tempo fora.
  Eu demorei a perceber a atuação na qual me enquadrou e foi o suficiente para terminar, não poderia ser diferente, apenas poderia ser.
  Pois agora eu não quero mais nada, nem o nada entre nós. Não quero distância, nem uma nova aproximação. Eu quero só a mim, só o que sempre fui e sempre vou ser. O nada entre o nada de você e eu. Sim, voltamos ao início, agora somos dois. Não há isso de almas, de amor, que faz de duas pessoas uma só. Nunca foi como o filme que você comprou com mentiras.
  Eu sei que em tantas noites em inúmeras ruas você encontrava outro alguém e esquecia quem te esperava para declamar o texto decorado com cuidado: "chegou tarde, mas ainda posso esquentar a janta" - e depois de uma pausa e um beijo sem sabor - "eu te amo". Aquele fantoche perdoava, o sorriso era escupido com dor. E enquanto sorria sem querer, enquanto recordava da lição de sempre calar a boca, eu chorava em silêncio. A alma chorava, o coração, a consciência que aos poucos ansiava por liberdade.
   Você havia feito um nó em minha garganta e o apertava cada vez mais forte todas as vezes que eu ousava argumentar, sempre foi fácil, não? Faz tanto tempo que eu me encontrei culpando a mim mesma. Até perceber! 
   E agora, nem o nada vale a pena, e agora, o nó que você fez está sendo usado para levantar a parede entre nós. Ou seria mais correto dizer: Entre você e eu.

Flávia Andrade
Texto para a 99ª Edição Cartas do Projeto Bloínquês.


sábado, junho 30, 2012

Ela e o céu


  Ela cresceu como o azul do céu vai escurecendo a cada centímetro durante o dia, assim como toda aquela dimensão disfarçava-se entre nuvens, ela sabia como fazer suas mudanças não serem notadas, até atingir o ponto mais alto e mais escuro, no caso dela, o ponto mais forte. Eu não poderia descrever, nem soube também o fazer, mas conto-lhe que ela modelou-se como Deus modela suas nuvens, fez-se assim uma menina pequena, assim como nuvens na visão de uma criança parecer algodão - doce -, ela elaborou sua aparência inocente, mas tornou-se gigante, confiante, guerreira e sábia no coração. Ela brilhou como o sol iluminando a rua depois da chuva, discreto, mas ninguém poderia parar e fez surgir o arco íris, admirado por qualquer coração de pedra que apenas soubesse apertar um pouquinho mais os olhos para conseguir enxergar tal beleza extrema. 
  Mas depois sempre veio a noite... Ela alterava-se em todos os momentos em que precisava lidar com o mundo. Assim como o doce céu que ela observava e inspirava-se a no mesmo balanço, viver. Nunca se esqueceu de brilhar, mesmo quando a escuridão reinava. A lua lhe contou este segredo, o brilho destacava-se na noite e era nela que a magia deveria acontecer. Então, a garota guardava seus sorrisos singelos, suas gargalhadas estonteantes e o olhar encantador para as noites. Era maravilhoso de se ver, ela aprendeu com o céu, a surpreender. Certa vez, ela contou a uma menininha que observava as estrelas no parque uma de suas aventuras: "Com um impulso que durou um átimo, eu caí em queda livre, e enquanto caía, o aperto no coração foi sumindo, e só pela liberdade da queda, aquela ação já tinha valido a pena." Foi como chover... E completou dizendo "Você tem que surpreender a si mesma, não pode esperar que os outros apreciem e nem que se admirem, pois tudo o que você faz tem que agradar primeiramente e unicamente a você mesma." 
  Com essa teoria, ela sabia que ninguém nunca poderia esperar algo, ninguém nunca deveria saber se no íntimo daquela alma era inverno ou verão, ela surpreendia as pessoas a sua volta com o inevitável. Assim como dormir depois de um dia ensolarado e brilhante e acordar com um dia de tempestades e vendavais. Ela foi uma aspirante a princesa, uma pequena nuvenzinha modelada perfeitamente, uma garotinha gigante no coração. E aprendeu com o maior mestre de todos a viver e concluiu que o céu é escola para quem sabe aprender, ou apenas sutilmente observar.

Texto para a 122ª Edição Conto/História do Projeto Bloínquês.

Flávia Andrade


quinta-feira, junho 28, 2012

Desobediência

 Eu não faço a minima ideia do que escrever, pois meu vocabulário foge quando teu nome vem em minha mente, mas eu sei que preciso, pois meu coração transborda de saudades e sentimentos aflorados os quais eu não posso controlar. Memórias, quem dera fossem inventadas, viajam em minha mente atordoada e atingem meu velho nosso, o passado de mangas arregaçadas, entediado e destruído.
  Eu costumava sempre ir direto ao ponto apenas para não ter que voltar. Costumava ir pelos os cantos para não chegar no meio de nossa relação e a intenção nunca prolongou-se a me lembrar. Mas você estava sempre ali, como uma estrela que você observa todas as noites enquanto anda distraído voltando de um lugar qualquer, o lugar é o mesmo de sempre, mas não é importante então não lhe faz lembrá-lo. Ando assim meio desatinada, meio interligada a você mesmo sem querer... Caminho assim, um pouco fora de mim, sutilmente fora de minha alma, de forma singela fora do meu coração, e me ferindo sem querer, caminho no âmago do meu amor. Passos descompassados, caídos e alterados não respeitam o que quero. Na verdade, nada aqui dentro me respeita, meu coração nunca ouve meus conselhos e minha mente é tão hiperativa que nunca ao menos ouve o que digo. Deixe-me dormir um pouquinho, assim ó. Descansar, desligar-me do mundo, apagar para ver se essa história se apaga também. Deixe eu mentir para mim por alguns segundos para ter um sossego.

Flávia Andrade

sábado, junho 16, 2012

Nós, só nós, amor

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     Bateu uma saudade de te chamar dos apelidos que um tempo atrás corava suas bochechas, de te xingar apenas para te ver revidar com as gírias que só nós entendemos. Senti falta da forma engraçada que a gente costumava lidar com certas notícias e de como você era um palhaço quando se tratava de me arrancar um sorriso. Ao mesmo tempo em que apertava o coração, pensei na nossa música e coloquei-a para tocar. Desabei a chorar. Enquanto o instrumental ia evoluindo e toda a letra formava a melodia e fazia total sentido, se passava um lindo filme por minha memória e em poucos segundos transmitiu os sentimentos mais apertados e guardados em meu ser. E eu senti vontade de passar este filme em todos os cinemas do mundo, para todos assistirem e verem o quanto nosso amor já foi lindo, passar para que vissem essa nossa comédia romântica levada aos trancos e barrancos numa vida que nem a distância foi capaz de separar. A música é a trilha sonora perfeita para emocionar qualquer coração de pedra que ao menos renda-se a assistir. E quem ousar dizer que é apenas uma música... Ah, ousou e farei calar-se, pois é a nossa música, nosso filme, E nossa história. Nossas risadas ressaltava alegria que se fosse distribuída pra o mundo o inteiro, ainda sobrava. Mas tropeçamos, e nossa música se repete a todo instante, e do passado, a única coisa que volta são os toques de piano da nossa velha canção e todos os dias adormeço ouvindo-a, sonho com nossos abraços nunca abraçados, e com nossa velha infância nunca tida, nossas memórias inventadas e com a barreira da distância, essa que infelizmente, sempre foi real. Foi o romance mais belo e singelo, assim como o brilho do seus olhos que minha memória já assistiu e gravou. Foi o livro não-escrito que minha lembrança leu e ainda relê. E eu apenas sinto falta, não há nada que eu possa fazer para mudar, nada que eu possa dizer. Ninguém errou, meu amor, nós dois somos inocentes. Mas nossas feridas cicatrizadas não podem simplesmente remendar nosso velho passado e fazer tudo voltar. Eu sinto sua falta. Sei que agora estamos juntos, mas sinto falta do amigo que você era, da amizade que nós tínhamos, do amor que nos preenchia. Eu sinto sua falta, amor, e continuarei dizendo. E se não podemos continuar, ainda assim em meus sonhos viajo para um passado só nosso, meu mundo de fantasia agora é seu e meu e cuidarei bem dele, como gostaria de poder cuidar de você.

Flávia Andrade

Para que ninguém possa ver


   O sorriso engana a verdade guardada nos profundos olhos, as lágrimas acendem-se como fogo árduo, mas o sorriso batalha para brilhar tanto quanto o sol e ele mente... O dia mente os sentimentos por entre as linhas, torna nossa página em branco do dia que há de vir em puros rabiscos, faz traços amontoados e tropeça em suas próprias retas; Enquanto a noite, a amarga cor do céu que apaga o sorriso fingido, mantém o que o sol fez-se esquecer e mostra-nos a verdade mesmo na escuridão. Há inspiração na face desfocada de quem chora, mas não há brilho na mente tumultuada daquele que esconde o que sente.
   Escrevo sobre o que transborda aqui dentro e se guardo, minhas palavras tomam um próprio e fiel rumo, adquirem força apenas para fugir. Fogem para folhas sem linhas e simplesmente despedaçam. Conte, o que pensa e sente, compartilhe da sua forma, seja ela singela ou complexa. Guarde suas folhas escritas, e não suas palavras e não sua arte e não o que transborda do âmago.

Flávia Andrade

quinta-feira, junho 14, 2012

Pra dar certo, dessa vez


     Estou tão feliz que você tenha voltado, meus dias distantes das suas palavras foram sufocantes, pensei até em correr de mim mesma, de pegar um barquinho, chorar um oceano e ir remando pra me distanciar de você, do mundo também. E, confesso, nem foi bem assim, mas eu fugi, escapei do meu orgulho. Eu fugi e fiquei com um vazio enorme. Eu fugi e voltei atrás, pois eu precisava. Agora que você está aqui, recuperei o pedaço que me faltava, ele veio um pouco machucado, veio remendado, mas era tudo o que eu precisava. Veio com palavras ásperas e que acertam em cheio o sentimento que tomo por seu, mas as suas vírgulas e pontos ainda são doces e eu guardo cada uma delas, pois neste momento cada simples segundo que ganho com você, são os segundos mais preciosos e esperados durante todos os meus dias longos. Voltei para você e, juntamente com nossa reaproximação, voltei a levar um sorriso no rosto toda vez que seu nome ilumina minha mente, e uma gargalhada toda vez que lembro das nossas velhas conversas bobas... E eu sei que podemos superar, apenas não desista de mim e não deixe-me ir, por favor.

Flávia Andrade

quarta-feira, junho 13, 2012

Veneta de te sonhar

   Tua paz convidou-me a sentar neste velho sofá, e em segundos tua veneta contagiante mudou minha rotina e minha vida, simplesmente foi assim. Vi meu mundo por um ângulo novo enquanto observava tua voz me chamando em um parco sinal. Já era hora, amor, senti tua falta nesse turbilhão de pensamentos, eu precisava que você viesse para desprender-me de mim. Sentir que agora estávamos juntos emocionou a alma e uma lágrima dos meus olhos fugiu apressada sem que eu pudesse ao menos perceber, foi de encontro ao sorriso que formou-se ligeiramente em meu rosto, um pouco improvisado e tanto desajeitado, tanta falta fazia a eu mesma o meu sorriso, pois ficar longe de você fez com que eu vivesse no mundo da lua e portanto, eu me encontrava distante demais do mundo para trazer reações ao corpo.
    Por este motivo, amigo, sorri bagunçada transbordando sentimentos aflorados. Os sentimentos os quais me trouxe um deliro de amor, e lembrei que eu sonhei que estava exatamente aqui, olhando pra você. Uma sensação louca e confusa, mas você sabe, eu sempre fui assim, meio lá, meio cá, meio de lua e sabendo, aproximou-se para me acordar do meu leve sonho propriamente dito, eu sonhei acordada e vagamente descompassada.
   Acordei com o brilho desse teu olhar justaposto ao meu raso e vago. Teu olhar, ah, como não me canso de me encantar por ele... Contei-lhe uma vez que quando estamos distantes costumo perscrutar pelo o brilho das estrelas, para nelas te encontrar e em nenhum momento menti, pois nelas é o lugar onde sei que sempre vou tê-lo próximo. Deito ali fora, sem eira nem beira, e adormeço pensando que minhas palavras não sustentam meu amor e que diariamente preciso das tuas para receber um pouco de paz à única dose de sã consciência que me resta. Então, não acostume-se a demorar para voltar amor, vai em dois palitos, um pé lá e um cá... E um cá mais uma vez, só para ter certeza de que um dia você fica sem nunca mais ir novamente.

Texto para a 123 Edição Musical do Projeto Bloínquês
1º lugar!

Flávia Andrade

sábado, junho 09, 2012

Balbúrdia de amar


    Esse é meu amor por você: descomunal, que ferve e esfria, queima a paciência e arde a vontade. Este é o sentimento que tomo por nosso, um amor desordenado onde tumulto é apelido. Faz adormecer a falta. A falta de vida e de paz. Esta é minha maneira simples de amar, de amar você, pois apenas esse amor causa tamanha loucura. Apresento a você esse meu amor rueiro, que gosta de ir buscar sua calma para o meu coração desesperado e levar do meu ser até você uma dose de exagero, que quer roubar um pouco do que tem em você que me falta e te completar com o que me transborda. Esse raro amor que, às vezes, é um tanto errado, mas que, às vezes, faz a coisa certa e, no fim, é só seu, amor. Me virou do avesso, me fez assim, transformou meus dias, bagunçou meus sentimentos e tumultuou minha paz. Trouxe-me um singelo sorriso e uma alegria marota. Amor, esse é meu amor por você.

Flávia Andrade

quinta-feira, junho 07, 2012


    Dia desses me apaixonei em menos de um minuto num desses transporte públicos lotados, numa dessas tardes rotineiras. Nossos fones de ouvidos se entrelaçaram enquanto eu desembolava o meu e ele girava o dele, de alguma forma casual ambos se juntaram. Desculpa, ele pediu com um sorriso disfarçado de lado. Me beija! eu quis dizer. O engarrafamento atuava como destino e eu torcia para nunca ter fim, para nunca chegar. Mas o trânsito voltou à ação e o motorista não era eu. Se fosse, agora estaria com os pensamentos naqueles fios embolados como se dissessem: se embolem também. Mas a gente não tem chance de se embaraçar, já chegamos aos nossos destinos e estão a mais de vinte quadras de distância. Eu só me encantei num desses amores rápidos dentro de ônibus onde nomes são silêncio. E eu fico aqui me perguntando: carência ou paixão-desvairada-randômica por sorrisos meigos e fones de ouvido entrelaçados com o meu?

Flávia Andrade

Pequeno Deslize


    Minha vida anda um pouco deslizando por tudo o que faz sentido, fugindo do que é normal e agindo indiferente com o cotidiano. Minha vida não, eu. Eu estou assim. A realidade mesmo é que está tudo um caos. E não é que eu odeie isso, na verdade, eu amo vida bagunçada, essa coisa de correr pra lá e pra cá, virar do avesso para lidar com tanta coisa, eu gosto dessa freneticidade. O negócio é que com tanto tumulto que eu mesma causo, me perco nos meus sentimentos. Acho incrível como lido tão bem com as palavras de um livro, mas tropeço horrores para escrever as palavras da minha história. Se essa página agora fosse um diário, eu diria que essa noite dormi ouvindo reggae e nunca havia tido sensação tão boa, diria que essa noite descobri que a música causa grandes efeitos. Eu contaria minhas histórias loucas as quais até hoje me causam crises de risos, arrependimento nunca. Mas tô tão sem saber o que fazer, que se essa página vira um diário, ela se rasga por si só. Torno-a então, um pequeno deslize meu, assim como alguns momentos de minha vida, um deslize onde em uma madrugada vazia de amor me deixo levar pela veneta de escrever.

Flávia Andrade

Adeus outrora

  Deixe-me ir, amor. Acompanhe-me até a esquina, mas não se deixe levar a me observar partindo após virar a rua. Saia de fininho para que eu não possa ouvir teus passos seguindo um caminho diferente do meu, para sempre, pois a dor tornar-se-ia maior. Vamos, confie que nossos lados opostos irão entrelaçar o caminho perfeito e não há motivos para sofrer, sei que não é de nossa vontade, mas o que fazer quando se é necessário? Vamos evitar erros, aqueles velhos e permanentes erros... Pergunto-me qual o sentido do eterno, pois se é eterno será então uma força inalcançável ou se tão esperado por todos se limitaria a ser verdadeiro? Quantas vezes prometeram que seria eterno, e não mais foi, acabou antes mesmo de tornar-se um "era uma vez", agora questiono se a eternidade é apenas uma força que ninguém tem certeza e em meu ser orgulhoso demais para acreditar, ele não existe assim como a fé. Então, se nosso amor é mesmo eterno como prometeu à meu amor próprio outrora, creio que devemos colocar-nos a sentidos opostos mesmo. Acompanhe-me até a esquina e não deixe que eu te ouça seguir em frente, e por favor, não chame meu nome, nem cante nossa velha canção até que eu esteja distante o suficiente para não ser capaz de ouvi-lo. Esta não é uma despedida triste, amor. Apenas nós sabemos o quanto precisamos e que ano após anos tudo se tornará mais fácil de lidar. Veja bem, doce amor, o dia está belo hoje, o sol, como você costumava me dizer, está convidando-nos a dar uma boa gargalhada, apenas pelo o prazer que sentimos quando as risadas são escandalosas. Os pássaros gentilmente cantam para nós. Cuide-se, enquanto ouve a canção deles. Cuide-se, enquanto embarco no meu futuro e deixo-te viver o teu. Cuide-se, apenas, amor.
Texto para a 120 Edição Visual do Projeto Bloínquês.
Primeiro lugar!

Flávia Andrade

domingo, junho 03, 2012

Cinema antigo

   O mundo parou quando eu parei para reparar no sorriso mais belo que já vi e respondeu o meu, não comportando-se ao seu. Nossa pequena distância diminuiu e a pulsação da nossa caixa de amor que temos aqui dentro acelerou, seguimos então juntos de mãos vazias, você do lado oposto e meu oposto torcendo para te atrair. 
   Uma rosa recolhi e te entreguei, seus olhos claros faiscaram uma luz de emoção que me levou embora a carência e trouxe para perto uma pitada de coragem. Pensei e repensei mais vezes até correr em um único passo para o entrelaço de nossas mãos, ação minha, reação sua e o melhor sentimento foi despertado.
    Aproximei-me das batidas do teu coração. Roubei um beijo franco. Um beijo que virou nosso.
Me fez louco.
Me fez bobo.
Me apaixonou.



Texto para a 121 Edição Visual - Bloínquês
Flávia Andrade

sábado, junho 02, 2012

Suscita sua presença

   Ei, psiu. Vem cá, senta aqui perto e vem falar baixinho: vamos fugir. Vem suspirar ao meu lado sobre as bobagens que a gente diz, vem assim manhoso e eu me apaixono por você apenas mais uma vez. O café está esfriando, o guarda-roupas vazio esperando as vestes com seu perfume e você ainda não chegou. Vem pra cá e me diz por que às vezes me olha tanto, não é que eu me incomode com isso, mas o brilho dos seus olhos causam mais efeito quando está mais próximo dos meus, e principalmente quando sua boca está mais próxima da minha. Então vem explicar. Que dure horas, que dure dias, que você não vá mais embora. Acarinha meu rosto e cante como se fosse me ninar.
 Pode mimar.
 Pode amar.
 Pode me namorar.
   Estou carente do seu carinho, do seu amor, e sutilmente de você. Venha mais um dia e com seu encanto preencha o espaço do nosso abraço, incita a guerra entre a distância e nosso amor, permaneça aqui esta noite. Podemos nos deitar lá fora para observar a imensidão do nosso céu florido por estrelas. Sim, ele flore estrelas e você não ousa teimar. Flore como um dândi, flore como você floriu no nosso primeiro encontro.
   Faça do nosso amor um céu florido tão quanto a própria imensidão e a gente tem a eternidade toda pra se amar. Vem, a eternidade é hoje. Hoje se repetindo mais uma vez a cada dia. Vem esta noite, amor.


Texto para a 95 edição Cartas do Projeto Bloínquês.
Flávia Andrade

Pedido alheio aos teus anseios


 Eu poderia ouvir o tom da sua voz por mais de vinte e quatro horas, embora você não acredite. Acordar com o teu bom dia e adormecer com você reclamando sobre qualquer coisa desnecessária, seria canção de ninar. Eu poderia passar o resto da minha vida olhando para os seus jeitos de andar pela casa, se encontrar na própria bagunça, pegar mais uma cerveja até perder as contas, comentar sobre algo intelectual demais para as pessoas ao seu redor, fazer tudo de maneira única e se destacar para mim. Sorrindo apenas de encontrar o seu olhar entreaberto quando ri ou desconfia de algo, e me sentir segura apenas por te ter. Eu não precisaria de mais nada, pois você sempre soube oferecer o mundo apenas ao cantar algo desconhecido que me agrada incondicionalmente.
   Sinto muito não poder dizer nada além de que você só teria a mim e ao meu coração, esse amor intenso pouco compreensível. Mas seria apenas se dissesse sim. Um sim para você mesmo. Um sim que fizesse desabar essa barreira anti-amor. Há muito em você que faz muito em mim ser frágil, então eu fico aqui no canto esperando uma chance de mostrar que seria diferente se fosse simplesmente cotidiano. Sem nenhum esforço, só amar.

Flávia Andrade

quinta-feira, maio 31, 2012

Força sua, esperança minha

   Se você fechar os olhos vai enxergar. Não a paisagem, não as pessoas passando apressadas, não o trânsito monótono, vai enxergar a beleza do que teus olhos segundos antes capitaram, o átimo entre o ato de observar rapidamente e o ato de ir para o seu próprio mundo. O prazer de respirar fundo.
  Quando teus medos apenas se tornarem mais fortes, tornando-te mais fraca, não vacile, não caia. Segure em minhas mãos e não tema. Quanto tuas dores clamarem por tua queda, resista, aguente. Apoie-se em meus ombros e confie. Creia que a tempestade passa, mesmo sabendo que nem sempre após ela vem o arco-íris. Acredite que a alegria é daquele que sabe superar. 
  Menina, sorria das pequenas coisas, o que é maior não importa, eu sei que você sofre e chora todas as noites, mas olhe em tua volta, procure as cores escondidas no meio da escuridão. A luz implícita na solidão. Lute confiante de que vai ganhar. Seja teu próprio super-herói, minha pequena, pois neste mundo egoísta ninguém mais larga tudo para salvar outro alguém. Eu estou aqui, mas eu não posso te salvar dos teus próprios fantasmas.

Flávia Andrade

sábado, maio 26, 2012

Descoberta

   Fui descobrir que o mundo dá voltas e não volto. Com um sorriso prazeroso quero assistir a expressão estupefata daqueles que duvidaram do que eu seria capaz. É bom saber que eu girei junto com o mundo, saber que agora estou na posição certa. E tudo pode simplesmente continuar girando, eu já encontrei meu lugar e agora iremos juntos. Eu, o mundo e aquilo que é meu. 

Flávia Andrade

Bagunça ao cubo

O nada.
O amor.
O tudo.
Necessariamente nessa ordem.
(Talvez volte para o nada algum dia)
Quando você ainda não amou alguém
(desesperadamente)
tudo é nada.
Nada é louco,
nada é diferente,
nada é bobo,
nada é esse mimimi de amar.
E de repente: Um amor
correspondido ou não
surge!
E teu nada vira tudo
tudo ao quadrado ou ao cubo
tudo alterado, bagunçado
desconfigurado e tumultuado.
É simplesmente assim
simples é o amor
(não teime!)
ele é simples.
Amar é que é complicado.

Não sabe escrever sobre o amor aquele que ama
e somente quem ama é quem tenta escrever sobre amor
logo amor não é possível ser escrito, descrito
nem paginado ou guardado em livros.
O amor acomoda-se entre a gente
chega invadindo o "eu e você"
 permanece implícito no "nós"
e carinhosamente guardado na gente.

 E não há necessidade dele ser definido
ele simplesmente está e estático fica onde estiver.
Amar é o que complica
pois ninguém sabe para onde o amor quer ir
ninguém sabe levá-lo flutuando pelo coração
pela vida e pelo o próprio caminho
todos tem a necessidade de complicá-lo e não dedicá-lo.

 Nós nos esquecemos de tomar o nosso próprio amor
 nosso próprio rumo
 pois ficamos esperando o amor de outro alguém
queremos trocas quando algo tão valioso
(wait for it)
pode ser apenas nosso!

Complicamos sim.
Amores vem e se vão
mas nenhum acaba
amor é tudo
e às vezes o tudo toma outro rumo
compra uma casa nova
para preencher o nada de outro alguém.
Alguns amores ficam no vai-e-vem
e outros, às vezes, nem sabem
onde estão
mas estão lá, eles sempre estão.
Os amores estão em nós
(os laços são para filmes românticos)

Flávia Andrade


sábado, maio 19, 2012

O que ele não quer que você sabia

   Se ele não se importa, não chama, não liga, nem reclama do seu sumiço proposital. Se ele não pensa em você, não adianta tentar pensar o suficiente pelos dois. Se ele só te quer onde ninguém vê, não merece ser visto por você. Ficar acordada chorando a madrugada inteira não fará com que ele apareça na sua janela dizendo que te quer. Mas talvez ele ligue qualquer noite para te usar. Você não é intervalo de tempo entre futebol, outras mulheres, amigos e trabalho. Você não é consolo de carência imediata dele. Você não é mendiga de amor e compreensão. Você é bem melhor que isso somente por se importar. Você é melhor que isso simplesmente por esperar de outras pessoas o que você tanto faz por elas. O que você tanto fez por ele! Você pertence a algum lugar melhor em outra direção, longe desse caminho torto para qual ele o levou em certo dia de desespero. Certo dia de diversão. Ande para longe do que te faz mal, corra para o que te preencha, pois ele só vem te esvaziando, fazendo com que você desperdice sentimentos. Guarde-os para quem mereça.

Flávia Andrade

quinta-feira, abril 26, 2012

Learn . Live. Hope

 Não vivemos sem os batimentos de um coração, mesmo quando ele sofre. A dor atrofia-nos e mantém em nosso âmago o medo de amar mais uma vez e vamos sendo inundados de azedumes, mas estamos aqui nos mantendo vivos. Mais fortes ou mais vulneráveis, estamos aqui, com corações despedaçados como uma taça de vidro caída e quebrada em incontáveis pedaços. 
 A verdade nua é que não há vida onde não há dor. A vida é tudo sobre ser. Ser um lutador e guerreiro. A vida é agora, é ganhar e perder, é amar e se estilhaçar. Viver é superar o fim do dia, quando desolados nos jogamos na cama desejando que o sono permaneça profundo até que tudo se resolva, mas acordar no outro dia e tentar novamente, não importa quantas vezes caia, não importa o que nos digam. Viver é guerrear, lutando contra nossos monstros e protegendo nossos sonhos, é correr mesmo sabendo que ainda podemos tropeçar em montanhas disfarçadas de pedras, ir à batalha sabendo que podemos perder, mas acreditando apenas que ganharemos.  
  E a vida pode ser má para quem está aprendendo, sim, ela realmente é cruel com gente que, como eu, não sabe lidar... Mas acalme-se, em campo é  pesado e complicado, porém vencer, não desistir de nós mesmos, é encontrar o que há de mais belo na vida.  E do que vale viver sem alegrias por medo de enfrentar tristezas? Desperdício. Aproveitemos. 

Flávia Andrade

quinta-feira, abril 19, 2012

Encantada

  Lembro-me de minha tolice quase infantil, tão inocente, que por tempos fez com que meus pensamentos permanecessem ligados em acasos e expectativas que criei para um dia encontrá-lo e dizer o quanto o amei. 
   No fundo da última gaveta da cômoda, embaixo das roupas de frio tão velhas que nunca mais usei e com certeza não vou mais usar, encontrei bilhões de cartas que escrevi e nunca entreguei. Cheias de bobagens. Encontrei também os cadernos antigos, espalhados em meio ao livros das páginas que tanto me agrada o cheiro, as últimas folhas rabiscadas com as inicias de seu nome e do meu nome, seguidos por milhares corações. Tão clichê! Intensamente ingênuos. 
   E agora eu penso em como tudo está se repetindo, voltei a escrever iniciais, mas dessa vez, seguidas delas estão textos que expressam meus sentimentos de forma que me assusta, logo eu que sempre os escondi tanto. Eu tenho isso de me apegar fácil, de me apaixonar rápido, na verdade, de me encantar como quem se joga em um precipício, e começar a lotar folhas e acabar com os dedos por escrever incontáveis cartas, histórias, músicas sem melodias, tudo confuso. Quando eu só quero confessar que não sei lidar com o fato de amar alguém tanto quanto eu amei o menino das iniciais no fim dos meus cadernos do ensino fundamental, e sentir tantos ciumes do garoto dono do 'ele' dos meus atuais textos. Eu não sei lidar com esse tal amor, com esse tal encanto, com isso de transbordar reações imprevisíveis.

Flávia Andrade

sexta-feira, março 30, 2012

Desencana

  Chega de repente como o final de uma frase sem coesão. Eu espero por dias até que perco a paciência. Você vem nesses últimos segundinhos de calma enquanto eu repito para mim mesma "já chega, não quero mais". Retiro a maquiagem, a boa postura, o ótimo vocabulário da mente e você quer conversar. Mas quando estou pronta com aquele discurso que te deixaria arremessado no chão mais gélido você não vem.
  Temos isso de encontros na hora errada, desencontros na hora inapropriada. Na verdade, não entendo como com tantos sorrisos espontâneos você só aparece para presenciar as lágrimas.
  Mas a culpa, eu sei que ela é mesmo minha, fico aqui te dando bola, tentando te impressionar, e pára de rir que eu tô falando sério... Eu sei que se eu tropeçar, você vai vir com esse mesmo riso e oferecer ajuda. Como da primeira vez que nos vimos, você sempre pergunta se pode ajudar. Claro que pode, dá uma mão nisso de oito ou oitenta, ou me tira de vez da sua vida ou me coloca nela pra sempre.

Flávia Andrade

Ruar você

  Você não sabe, mas até mesmo o barulho dos carros me faz lembrar você. Oh! Moro em uma rua bastante movimentada que até mesmo nas longas horas das madrugadas encontra-se tumultuada, assim como o meu coração. Enquanto nos meus ataques de veneta venho até a sala escrever sobre esta confusão que você me causa e observar as poucas luzes que aparecem tímidas na escuridão, costumo sentir medo em meio aos roncos de quem dorme e da escuridão que me grita para ir dormir e eu teimo... E tudo o que sou capaz de ter, é vontade de correr e te abraçar. Ouço o som lá fora, os carros passando tão apressados e essas motos barulhentas, ouço alguma coruja e insisto comigo mesma que ela está apenas tentando me assustar, lembra quando você riu por eu dizer que tenho medo de corujas, mas que quero uma para cuidar por serem lindas? E também concordou, elas realmente são lindas... Eu olho para trás e evitando olhar para o meu passado enxergo a porta de vidro, a chave está nela e diz que eu deveria gira-la, da porta vai para a calçada, que vai para a rua, que chega até os carros. Por que é que não posso simplesmente ir até um carro, pedir para acelerar e chegar até você? Quando é a hora? Hora de te ter, te ver, te amar... Sabe, eu penso em qual é o teu cheiro, se é um perfume doce ou um daqueles que me deixa espirrando sem parar e se for a segunda opção, vou querer te encontrar só no fim das tardes, quando o perfume já está mais fraco, como se durante o dia ele tivesse medo do mundo e fosse se escondendo por entre os tecidos de sua roupa e sua pele. Aliás, como será ver teus olhos tão de perto, os quais sempre ganham destaques em suas fotos, eles são capazes de iluminar os meus ultimamente tão apagados? Não é que eu duvide disso, mas... Tenho perguntas, que mesmo sabendo a resposta, eu gostaria de comprovar 'logo duma vez'. Não pense que é somente isso, pois meus pensamentos vão além, penso também se em meio aos seus pensamentos do dia você pensou em mim. E passou mais um carro... Lá vão eles acelerados para algum lugar que desconheço e deixando em meu coração acelerado a vontade de sair daqui, nem que fosse só pra ver como o tempo está lá fora, será que já mudou desde a última vez que abri esta porta? Acho que sim, estou precisando de mais um cobertor (...) Amanhã cedo eu vejo, cedo nada, dormirei até tarde, já que passei um bom tempo escrevendo, vou passar mais um bom tempo pensando, depois volto a escrever, e a pensar, escrever, e a pensar... E quando for cedo vou estar indo me deitar. Envio-te estar carta para pedir-te um minutinho teu, sim, mais do que os minutinhos que gastou lendo isto. Dê-me um tempinho para te namorar, bem pouquinho, assim ó.

Com amor, aquela que quer roubar um carro só para ir te encontrar.
Flávia Andrade

domingo, janeiro 22, 2012

Re(viver)

    Essa vida estava brincando de me testar como se eu fosse fantoche. Ela me colocou em trilhos ínfimos de fatos que não pude deixar para trás, tive que encarar. Depois, veio singela em meu ombro dizer: "Viu? Você conseguiu!" porém nas piores vezes ela surgiu repentina e me atormentou: "Você errou! Foi estúpida e errou!". Como se fosse problema só meu aquele maldito tropeço. Levou-me para lugares inimagináveis, tirou-me do caminho dos sonhos, acrescentou obstáculos e por ser tão esperta fez parecer que a culpa era toda minha. Vou deixar essa vida na beira dessa estrada a qual me trouxe e ir embora com a vida que eu quiser reinvetar para mim, essa vida vai ser silenciosa, sem milhares de vozes dizendo o que eu fiz ou deixei de fazer, vai ser a vida só minha que depende só de mim, a vida que eu não deixarei me controlar.
Flávia Andrade

Natasha

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