sexta-feira, março 30, 2012

Desencana

  Chega de repente como o final de uma frase sem coesão. Eu espero por dias até que perco a paciência. Você vem nesses últimos segundinhos de calma enquanto eu repito para mim mesma "já chega, não quero mais". Retiro a maquiagem, a boa postura, o ótimo vocabulário da mente e você quer conversar. Mas quando estou pronta com aquele discurso que te deixaria arremessado no chão mais gélido você não vem.
  Temos isso de encontros na hora errada, desencontros na hora inapropriada. Na verdade, não entendo como com tantos sorrisos espontâneos você só aparece para presenciar as lágrimas.
  Mas a culpa, eu sei que ela é mesmo minha, fico aqui te dando bola, tentando te impressionar, e pára de rir que eu tô falando sério... Eu sei que se eu tropeçar, você vai vir com esse mesmo riso e oferecer ajuda. Como da primeira vez que nos vimos, você sempre pergunta se pode ajudar. Claro que pode, dá uma mão nisso de oito ou oitenta, ou me tira de vez da sua vida ou me coloca nela pra sempre.

Flávia Andrade

Ruar você

  Você não sabe, mas até mesmo o barulho dos carros me faz lembrar você. Oh! Moro em uma rua bastante movimentada que até mesmo nas longas horas das madrugadas encontra-se tumultuada, assim como o meu coração. Enquanto nos meus ataques de veneta venho até a sala escrever sobre esta confusão que você me causa e observar as poucas luzes que aparecem tímidas na escuridão, costumo sentir medo em meio aos roncos de quem dorme e da escuridão que me grita para ir dormir e eu teimo... E tudo o que sou capaz de ter, é vontade de correr e te abraçar. Ouço o som lá fora, os carros passando tão apressados e essas motos barulhentas, ouço alguma coruja e insisto comigo mesma que ela está apenas tentando me assustar, lembra quando você riu por eu dizer que tenho medo de corujas, mas que quero uma para cuidar por serem lindas? E também concordou, elas realmente são lindas... Eu olho para trás e evitando olhar para o meu passado enxergo a porta de vidro, a chave está nela e diz que eu deveria gira-la, da porta vai para a calçada, que vai para a rua, que chega até os carros. Por que é que não posso simplesmente ir até um carro, pedir para acelerar e chegar até você? Quando é a hora? Hora de te ter, te ver, te amar... Sabe, eu penso em qual é o teu cheiro, se é um perfume doce ou um daqueles que me deixa espirrando sem parar e se for a segunda opção, vou querer te encontrar só no fim das tardes, quando o perfume já está mais fraco, como se durante o dia ele tivesse medo do mundo e fosse se escondendo por entre os tecidos de sua roupa e sua pele. Aliás, como será ver teus olhos tão de perto, os quais sempre ganham destaques em suas fotos, eles são capazes de iluminar os meus ultimamente tão apagados? Não é que eu duvide disso, mas... Tenho perguntas, que mesmo sabendo a resposta, eu gostaria de comprovar 'logo duma vez'. Não pense que é somente isso, pois meus pensamentos vão além, penso também se em meio aos seus pensamentos do dia você pensou em mim. E passou mais um carro... Lá vão eles acelerados para algum lugar que desconheço e deixando em meu coração acelerado a vontade de sair daqui, nem que fosse só pra ver como o tempo está lá fora, será que já mudou desde a última vez que abri esta porta? Acho que sim, estou precisando de mais um cobertor (...) Amanhã cedo eu vejo, cedo nada, dormirei até tarde, já que passei um bom tempo escrevendo, vou passar mais um bom tempo pensando, depois volto a escrever, e a pensar, escrever, e a pensar... E quando for cedo vou estar indo me deitar. Envio-te estar carta para pedir-te um minutinho teu, sim, mais do que os minutinhos que gastou lendo isto. Dê-me um tempinho para te namorar, bem pouquinho, assim ó.

Com amor, aquela que quer roubar um carro só para ir te encontrar.
Flávia Andrade

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