domingo, dezembro 23, 2012

Suma.

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  Não te ter por perto está me deixando vulnerável, ando tropeçando, bambeando as pernas, caindo aos cantos e sem ânimo nenhum para levantar. Estou descontando tua falta em carência, estou me prendendo em pessoas que nunca me cativaram, estou formando laços em qualquer nó. Meus ciúmes estão explodindo com minha cabeça e minhas palavras, está quase incontrolável e tudo isso porque estou com medo de perder mais pessoas em minha vida, assim como perdi você. Estou fraca e melancólica e odeio admitir isso, mas meus sentimentos negativos estão à flor da pele. Odeio dizer também que você está me fazendo sentir tanta saudade como nunca pensei que sentiria, ah, odeio quando você me vence! Mas se quer mesmo ir, então vai, que eu me fodo aqui.

Flávia Andrade

domingo, dezembro 02, 2012

Ainda

  

    Eu ainda tenho aquela foto sua em cima da cômoda que você fez no meu primeiro aniversário. Eu ainda tenho meu chaveiro que te fiz "papai meu herói" embaixo do meu travesseiro. Ainda guardo fotografias, lembranças e memórias no guarda-roupas junto com minhas bagunças. Pouca roupa, muita acumulação de desnecessariedades. Eu ainda estou crescendo, aprendendo, vivendo. Ainda respiro e lido com o mundo. Ainda tento voltar para o que era bom. Eu lembro quando eu tinha você, o Lion nosso cachorrinho velho qual amavas e a calçada ainda não refeita por suas mãos, ainda tinha nossas idas à praia nos domingos, todas as moedas ganhadas por dia pra comprar pequenos cadernos para escrever meus sonhos infantis. Eu ainda tinha seus sorrisos, seus sermões, seus jeitos loucos de ser pai. E eu sei que você (que nunca me permitiu lhe chamar de senhor, pois éramos antes de pai e filha, amigos.) ainda me cuida e me nina todas as noites e antes que eu possa derramar lágrimas de sua falta, você me conforta. Ainda te sinto aqui perto e te chamo. Resumidamente, apenas preciso de dizer que eu ainda te amo e ainda não me sinto sozinha.

Flávia Andrade

Não me deixe

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   Me abrace mesmo se eu não pedir, mesmo se eu não chorar nem protestar. Me sorria mesmo se eu não for engraçada, mesmo se eu não sorrir nem contentar. Se eu apenas deixar, apenas cair, apenas esquecer. Me faça nova, me renove, me recomponha, mesmo se eu desmontar em várias tentativas, mesmo se as peças se deslocarem e eu afrouxar meus parafusos. Eu posso tentar fugir de ti, mas quero ser presa novamente em teus braços. Eu posso tentar abandonar-te, mas é porque há muito tempo me abandonei, não sei lhe ter, então não espere sinais, me tenha como se eu não pertencesse a mais ninguém. Segure em minhas mãos enquanto eu me afasto, e não me permita ir embora mais uma vez. Eu não aguentaria as consequências.

Flávia Andrade

Em sonhos

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    Deixe-me sonhar você mais esta noite e te trazer próximo a mim ao menos neste descanso, ir para esta viagem intangível que por ser limitada no que se reconhece sensitivo permite cruzar qualquer barreira. Em sonhos qualquer alguém pode ter uma casa na árvore, um piquenique no parque ou um foguete lançado no espaço, e pode ter quantas e quais companhias quiser. É por essa razão que te sonho. Se enquanto real torna-se tão impossível alcançar, que em sonhos as impossibilidades tornem-se dispensáveis a qualquer loucura, indagável ou não. Se enquanto real um mínimo sorriso é inefável, que em sonhos preencha capítulos de sua beleza e doçura, como as muitas páginas que compõem cada desejo meu.

Flávia Andrade

Porre

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   Ele atenta minhas mãos
   ao insulto, à arte.
  A escrever bobagem,
   inutilidade.
 
   Eu diria coisas tolas a mais
    mas basta dizer
   ah, que porre!
   Que porre você me traz.

Flávia Andrade

Eu sinto muito

   Eu sinto sua falta mais do que um carro deixando sua estrada, mais que um lápis deixando sua folha, mais que uma obra deixando sua inspiração. Eu sinto noventa por cento de mim sendo deixado em outro universo, em outro canto, outro mar, profundo demais para quem não sabe nadar. Eu queria nadar. Eu sinto você buscando pedaços de mim a cada instante que te penso, que te sonho e não te tenho. Eu sinto muito não sentir você realmente, não te tocar, te abraçar, te amar corpo a corpo. Eu sinto essa distância crua destruindo o sabor de te amar, amargurando meus sonhos, minhas vontades. Me deixando crua também, sem espaço, mas com um vazio. Um vazio que não cabe nada, que se lotou de saudades. Um vazio feito porque você levou pedaços de mim durante todos esses anos. Um vazio preenchido invisivelmente porque você não voltou nem os devolveu.

Flávia Andrade
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