quinta-feira, janeiro 03, 2013

  Eu procuro vestígios dele no meu quarto desarrumado, tento me convencer de que vou ficar bem, abaixo a cabeça chorando e o cabelo bagunçado esconde minha cara de terror. Eu penso que preciso me recompor. Ao tentar me levantar, sinto a tontura pousando em minha cabeça, junto de uma escuridão atormentadora que dura alguns segundos. Fecho os olhos e me escoro na cômoda, - como é que meu mundo desabou tão de repente? - Desisto de questionar novamente, as respostas nunca vieram, eu sempre soube que não haveria o que retrucar. Caminho até a porta e enfraqueço apenas de pensar em abrir a fechadura, agora tenho medo da minha própria casa, então volto para minha cama, me jogo e me desligo e desisto pela oitava vez nesse dia de sair do meu quarto depois de estar trancando a mim mesma há exatamente três semanas. Ninguém preocupou-se em vir perguntar o que houve, ninguém ao menos sentiu falta, apenas continuaram julgando meus possíveis  erros enquanto a dona da única e mísera verdade sou eu. Neste momento, as paredes brancas me atormentam e o silêncio fere meus ouvidos, a noite chegou e eu sei disso mesmo com  a janela e as cortinas fechadas, eu adivinho quando as noites chegam para me assombrar. Minhas mãos tremidas e fracassadas escrevem para desabafar, para tirar algum pouco de dor, mas é impossível me confortar. Meu corpo na cama, em minhas roupas, meu cabelo, tudo me agoniza. O guarda-roupas ainda têm alguns dos trapos daquele que se foi, o chão ainda tem uma garrafa e duas taças quebradas e as marcas de vinho junto do cheiro que agora me desalma. É impossível encontrar algum canto que não me faça recordar dele e também é impossível fechar os olhos e não me sufocar com lembranças, então me mato a cada segundo que permaneço aqui. Se em algum momento minhas pálpebras cansarem e meus olhos fecharem-se lentamente, em meu sono ele irá tornar-se um pesadelo, como nas últimas vinte e uma noites que tentei dormir, agora estou evitando com todas as minhas forças repousar. Levanto-me novamente e me aproximo da janela, o vento que sobra por seus pequenos buracos me arrepia e eu estremeço ao sentir os olhos marejando e friamente meu rosto arde por sentir lágrimas pela incontável vez caindo, me sinto fraca além de fisicamente, emocionalmente e creio que não sou capaz de suportar mais nada, me odeio por estar a um nível de não conseguir conter nem minhas lágrimas. Quem sou eu agora? Eu costumava sorrir até em dias de sombras, eu costumava ser forte ou ao menos achar que era forte... Até o dia em que tudo deu errado e agora eu sei que nem milagres podem me salvar enquanto eu continuar me auto destruindo e impossibilitada de me controlar.

Flávia Andrade

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