quinta-feira, janeiro 30, 2014

Des(espero)

Esse seu cheiro estranho impregnou em mim desde o primeiro beijo. Onde quer que você esteja, saberei antes de te ver de longe que te encontrarei. Minhas blusas que grudaram nas suas quando nos abraçamos ainda estão perfumadas de você. Não consigo decifrar, não parece perfume, é algo todo seu.  Combina com sua voz e sorriso, completa suas palavras. E se o sinto, sinto também você e tremo, e bambeio, e me desespero por mais que te espere e fujo por mais ávida que seja a vontade de te beijar e perco a voz querendo gritar e perco os sentidos, a hora e lugar e meu olhar não desvia, não obedece minha timidez, encara descabido, apela, esbraveja que só quer te amar, mas você não percebe, nunca notará.  Então me sento aqui e te escuto, mentalmente retruco, mas você só me vê sorrir e concordar.

Flávia Andrade

quarta-feira, janeiro 29, 2014

Ouço essa música porque canta nossa história. Assisto esse filme, pois é como ver você.  Frequento esses lugares só para te encontrar.  Bebo e fumo para compreender seu prazer.  Leio Hemingway e Bukowski porque te inspiram, porém me inspirar neles é somente outro caminho para pirar e sejamos francos, já estou louco, não sou mais eu. Há tanta explicação para o que eu tenho feito, sendo a única incógnita minha última chave de escape. Por que faço tudo isso por você? Por que te amo? Deixe-me saber e fugir.

Flávia Andrade

terça-feira, janeiro 21, 2014

Juramentos meus para mim não cumpridos. Auto juramento, auto enganação. Muito acúmulo, muita acomodação. Há nome para isso? Juro que essa é a última das últimas promessas antes que eu procrastine 
o fim da procrastinação, antes que um carro a mais no engavetamento não seja mero detalhe, antes que um balão estourado seja culpado pela grande explosão. Eu tenho todos os motivos em mãos, mas elas arremessam no lixo e me levam embora. Eu queria confiar em quem transforma horas em segundos, mas sou cegamente encantada por quem faz das minhas semanas, anos. Esse sofrimento de espera me convida, me alimenta, me dá essa vida desgraçada.

Flávia Andrade

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Eu estou sempre lá, no fundo, no canto, de cabeça baixa, mas olhos estalados, atentos. Vou para outra galáxia às vezes, mas ainda ouço sua voz contando histórias, debatendo, rindo com os outros.  Eu queria um lugar só pra nós, queria ao menos chamar você e eu de nós.  Mas estamos aqui nessa balbúrdia e ninguém sabe o quanto sou sua e eu nem sei o quanto você é meu. Eles não querem saber, mas eu quero, e presto atenção esperando escapar qualquer sinal de que você me vê e me quer sendo sua. Meu nome na sua voz vira música, você chama minha atenção, pede para me enturmar, brinca com minha timidez e todos me olham. Eu quero te matar nessa hora. Mas que fosse pra matar de amor. Então você reinicia sua opinião sobre aquela banda da Inglaterra e todos concordam, eles te amam, é por isso que você é o único em pé na roda de amigos. Você está sempre defendendo que é bom no que faz, mesmo sem dizer uma palavra, você anda de cabeça alta transbordando superioridade, mas continua o indefeso que só meus olhos enxergam.  Ainda sobre a banda, você usava uma camiseta deles no primeiro dia em que conversamos. Na verdade, eu falei com seus amigos, você falou com eles, mas não nos falamos. Mas lembro que você riu de algo que eu disse. Se você lembra eu já não sei. É matante e massante não saber o que você quer afinal, mas eu continuo insistindo.

Flávia Andrade
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