sexta-feira, maio 30, 2014

Fiz um relatório, a saudade de você causa: ocorrências de solidão às vezes, insônia constantemente, um vazio agora.

Flávia Andrade

Essa é minha maneira de fazer o que quero fazer, o que vocês fazem de forma patética. Vocês sabem, não é ser diferente, é me pertencer e não deixar que arranquem meus pedaços e construam outro dessa raça humana.  Outro robotizado.  Não mudem meus textos, não alterem trechos, não inventem frases, é assim que estou dizendo e significando.  Se não entende, então lamente.

Flávia Andrade

   Ao menos buscou um viés de importância? Alguma razão para continuar? Ou foi embora assim, sem "mas" nem "porque"? Espero que no mínimo tenha considerado que ainda há naquela sala de estar, naquela varanda e naquele banco que sempre ficávamos um resquício de amor. Quando caminha assim de cabeça erguida e me vê, quando sorrindo para o nada destemido me olha sem medo, enquanto eu trêmula encaro o chão e tento respirar fundo para não chorar. Estamos tão diferentes, você se tornou uma pessoa mais forte, eu uma mais vulnerável (como era previsível). Você foi a única pessoa quem destruiu minha barreira de arame farpado, quem eu deixei se aproximar e cuidar de meus segredos e confissões, para quem eu entreguei minhas verdades e medos. E de repente levou-os como se nada fossem para mim. Por que foi tão covarde? Eu continuo aqui tentando compreender todos os seus possíveis motivos, mas não chego a lugar nenhum, só tenho lembranças dolorosas como o inferno e milhares de detalhes com seu perfume, olhos e sorriso.

Flávia Andrade

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   Isso não se trata de onde estamos agora e de quem somos, é questão de cumprir. Você ao menos se lembra de tudo o que me disse? Das promessas poucas e seguidas de pedidos de confiança?
  Desde que você se foi, eu me pergunto se tudo o que prometeste foi tão supérfluo a ponto de que pudesse esquecer-te ou se fora tão pacóvio a ponto de simplesmente jogar tudo para o ar.  Pois eu acreditei quando você disse que seríamos ‘para sempre’ e emocionei-me ao ler tuas palavras dizendo ‘juntos até o fim’. Pensando nisso, sinto vontade de gritar, esbravejar palavras de baixo calão, porque parece que você não entende que este não é o fim! Não, não acabou! Foi uma pausa, um pormenor... Por menor que foste. Não acabou, pois as promessas nos acorrentam, prendem nossas almas, nossas vidas e nossos corações, e vamos continuar juntos enquanto houver o único infinito deste mundo mortal... Enquanto houver amor.
   Eu continuo aqui, você pode enxergar isto? Meu corpo permanece parado e taciturno, mas meus sentimentos transbordam aflorados e correm até você, eles querem te salvar. Eu quero te salvar! Deixe-me invadir teu mundo como da primeira vez que conversamos. Lembra? Eu me entrosei de forma que você não pudesse fugir. Eu confesso, roubei teu coração sem que você pudesse evitar. Não sei se até hoje você conformou-se com tal fato, mas estarei ligada aos teus rumos enquanto eu não devolver tal preciosidade. Foi assim que o motivo dos meus sorrisos foi apenas o fato da ocorrência dos teus.
   Ousei intrigar e confundir teu mundo, mas nem assim cessou a vontade de te amar verdadeiramente. E você... Oras, porque fez tal armadilha com meu coração? Por que não se decidiu se cuidaria dele duma vez ou se o esmagaria até que não existissem mais rastros por onde passei amando ou até mesmo odiando, não sei ao certo o quanto esta bomba ambulante que levo aqui dentro aprontou nessa minha sede de ruar.
   Esqueceu-se mesmo de o quanto te amo? Esqueceu-se de como foi que tudo aconteceu  e o que prendeu-nos até o que antes era belo? Eu guardei todas as palavras que me disse para uma última canção. O final não chegou, meu amor, mas eu tenho que entregar tudo o que tenho. Meus pés não agüentam mais sustentar todo este peso de saudades, lembranças, memórias, paixões, amizades e etc. que levo aqui dentro. Pega. Leva tudo. Pode ficar com você.
    Arrumei uma mala, está ali na outrora que vem chegando. Quando você notar a presença, saberá que é pra pegar e levar pra casa. Mas cuida bem, viu? Eu aguentei tudo isso calada e sorrindo, eu estivesse tentando consertá-las de forma que pudéssemos mais uma vez compartilhá-las e você não deu a mínima. Agora cuide, pois são meus bens preciosos, alimentei-as com o brilho das estrelas que observei todas essas noites que nem ao menos pude ler teu ‘oi’. Pois você não se deu ao luxo de me procurar. Isso é questão de cumprir, lembra? Não cumpriu, velho amigo.

Flávia Andrade


terça-feira, maio 27, 2014

Deixe o frio chegar, deixe-o se acomodar e tentar fingir que o dia é noite, deixe-o nublar o céu sem estrelas. Esse frio está só de passagem, menos ânimo, mais cobertores e logo ele vai embora. Deixe-o vir porque queremos reclamar. Queremos passar o dia repetindo que está frio. Queremos dizer que não temos ninguém. Queremos acusar que o café está amargo. Isso não parece com a vida? Deixamos pessoas frias entrarem (ou seríamos nós os frios?) Elas vêm querendo muito e estamos esperando pouco, mas deixamos porque já estava no caminho e parece mais confortável simplesmente deixar entrar. Então reclamamos que não é a pessoa certa, não gostamos dela, gostamos do que ela nos faz buscar: saudade de outra. É como o frio, seria péssimo se não procurássemos casacos quentinhos para usar. Deixamos a janela aberta para o frio, a porta aberta para quem não é capaz de nos provocar amor. Estamos então com o frio e a pessoa-não-amável por perto, consequentemente agasalhados e devaneados pensando em alguém que nos faria mais felizes, em um sol que traria mais contentamentos.

Flávia Andrade

As pessoas se apaixonam por pouco, e aos poucos se encantam por muito e antes que possam perceber, lá estão elas apaixonadas por muito do mínimo e cada detalhe da pessoa é uma deixa de adoração. Pode entender isso?

Flávia Andrade

Se eu olhar para o chão e disfarçar o riso: é amor, se eu fizer questão de rir da sua cara: é, é amor. Mas se eu sequer mostrar os dentes: não, não é amor. Veja se eu gesticulo em excesso ou se pareço uma estátua: é amor. Mas se ignoro o que faço na sua frente (porque simplesmente não estou me importando com quais palavras e de que maneiras direi a você), então: não é amor. Será amor se eu não conseguir te encarar por muito tempo ao me olhar. Amor será se quando você não estiver vendo eu fotografar em minha memória cada passo seu. Mas se eu nem quiser te olhar, nem correr para perto, nem me aproximar, desculpe-me: não é amor. Desculpe-me, outrém (que caso tenha notado) por te amar. Desculpe-me se às vezes eu simplesmente quero me perder em você e acabo me perdendo em mim, enquanto em outras horas estou tão atenta que sou quase outro você e esqueço de me ser. Desculpe-me se eu perco os sentidos, as medidas e as noções: é amor. Quero te chamar de meu bem, quero concordar com você dizendo: é, amor. Por fim, perdoe todas as repetições de amor nesse texto, isso é porque meu coração vai batendo e sussurando devagarinho: besta, é amor!

Flávia Andrade

Chega esse momento da vida em que você acredita mais nas ausências e desfoques. Você deixa de procurar por aquilo que é tangível porque simplesmente se torna cansativo. Chega esse instante em que você, sem querer, vai dizer que a ausência de calor é mais aconchegante. A ausência de luz é mais confortável. A ausência de cor te veste melhor. Preferível também crer que essas coisas que nos cercam, segundo eles, não existem, pois ter fé em existência significa um trabalho árduo para a alma. Chega essa hora em que você só quer ouvir o que te tira dessa sintonia com o mundo, normalmente o silêncio. E vai chegando, e você vai percebendo, e vai deixando. Chega para muitos e as pessoas ficam assim, ausentes de amor.

Flávia Andrade


São esses teus efeitos que provocam meus anseios e são essas palavras tuas que tumultuam meu vocabulário. Você por perto é excesso, de longe é saudade e eu não sei o que faço. São esses seus olhares hipnotizantes que fazem me despertencer, esses jeitos e gestos e eu já não sei mais.

Flávia Andrade

É o suficiente se sentir em paz. Os sorrisos e olhares ficam mais sinceros. As canções e palavras têm mais sentimentos. Dedos entrelaçados, abraços e carinhos acontecem. Estar em paz com você é estar em paz com o mundo.

Flávia Andrade

Você abaixa a cabeça, tamborila os dedos na mesa, um pé sapateia, o olhar busca o chão. Eu estou atenta querendo te ouvir. E você. Vai dizendo... Assim. Com tantas reticências, pausas, demoras em meio a essa desimpaciência, enquanto eu permaneço tão tranquila. Você ri da sua palavra errada, mas eu rio da sua risada tímida. Você, de repente, desiste de dizer e ri mais. E eu rio mais alto. E somos dois bobos e eu não sei para onde foi o resto do mundo, somos só você e eu. Você tão acanhado e eu tão clichê.

Flávia Andrade

terça-feira, maio 06, 2014

Estou buscando em qualquer olhar a chave para um sorriso, mas sem ninguém perceber. Estou sendo feliz em segredo, demonstro-me alegre entre a nódoa da solidão. Aquele alguém vem e me dá um pouquinho de contentamento e eu vou guardando para os sábados. Enquanto isso vou sendo aquela menina infeliz aos olhos atentos do mundo ao meu redor. 
   Nestes dias específicos da semana, sem ontens ou amanhãs, deixo explodir em/de mim todos os risos que me foram dados, sozinha no chão da sala e sem medo. 
   Não quero que vejam minha felicidade, tenho medo que a roubem e odeio o quanto isso soa egoísta, contudo é medo sim.
    Tenho medo de ser derrubada, pisada. Tenho medo de que julguem meu riso e os motivos que me levaram a ele. Tenho medo de que me acorrentem se me perceberem tão liberta. 
    E por isso canto e danço aqui, talvez só com minha sombra, sozinha nessa casa vazia entre paredes que não apontam erros. Por isso a cabeça sempre baixa em público e os pulos tão altos a sós. Por isso a fala pouca em conversas com tantos e intermináveis diálogos, meio loucos, comigo mesma.

Flávia Andrade

domingo, maio 04, 2014

O impossível

   Sei que te amo, somente não sei compreender o porquê, pois somos tão errados um para o outro, antes fôssemos confusões ou desacertos, mas a verdade é que somos e vamos muito além do que algumas palavras possam definir. 
    Se em algumas horas parecemos nos encaixar tão bem, em outras parecemos dois corpos que entre si causam repulsa. E se por ora te desejo, é porque pouco antes eu quis tirar sua vida.
     Quero me afastar de/com você
     Quero ir para longe de/com você
     Quero me perder de/com você
     Sei que te amo, mas não podemos, de maneira alguma, ficarmos juntos. Nossas vidas estão distantes no passado, no futuro e não há chances de juntá-las neste presente morno.
     Você pode até pensar que se tivéssemos mais hipérboles, exageros, daria certo.  Que se não fôssemos essa bossa nova, esse tom pastel, se não fôssemos tão insípidos daríamos jeito de traçar nossos mundos num só. Contudo, meu amor, sinto informar que não importa se é muito ou pouco, se a sintonia perde o ritmo ou prossegue perfeita. Não interessa se o canto já desafinou.
    Somos tão errados e eu sei que te amo (somente não sei o porquê), eu e você, nós, não podemos ser e acontecer.


Flávia Andrade

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