sexta-feira, maio 30, 2014

   Ao menos buscou um viés de importância? Alguma razão para continuar? Ou foi embora assim, sem "mas" nem "porque"? Espero que no mínimo tenha considerado que ainda há naquela sala de estar, naquela varanda e naquele banco que sempre ficávamos um resquício de amor. Quando caminha assim de cabeça erguida e me vê, quando sorrindo para o nada destemido me olha sem medo, enquanto eu trêmula encaro o chão e tento respirar fundo para não chorar. Estamos tão diferentes, você se tornou uma pessoa mais forte, eu uma mais vulnerável (como era previsível). Você foi a única pessoa quem destruiu minha barreira de arame farpado, quem eu deixei se aproximar e cuidar de meus segredos e confissões, para quem eu entreguei minhas verdades e medos. E de repente levou-os como se nada fossem para mim. Por que foi tão covarde? Eu continuo aqui tentando compreender todos os seus possíveis motivos, mas não chego a lugar nenhum, só tenho lembranças dolorosas como o inferno e milhares de detalhes com seu perfume, olhos e sorriso.

Flávia Andrade

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