terça-feira, setembro 23, 2014

A Grande Espera

    Chega tarde, não tem bancos, senta-se na grama com formigas e alguns receios, tais como ver alguém passar. Algum conhecido, velho amigo, decepcionador. A mente ainda não se desligou, a caminhada foi longa em busca de paz, mas ainda pensa em outras semanas, pensa sobre aquele dia mais cedo, o almoço, hora de ir para casa, se alguém vai aparecer e notar, se reconhecerão as mãos escrevendo apressadas no caderno novo e caneta roubada, pensa se alguma coisa chegará para preencher o que tem vivido. A vida nunca parece boa o suficiente, quando o ano se desenrola e as metas feitas na virada antes dos fogos não se realizam, quando o acontecimento que parecia um sonho excepcional não é tão grandioso assim.
    O lugar não tem bancos, mas tem folhas bonitas, amassadas no chão, é primeiro dia de primavera, mas algo diz que a estação nada tem a ver com o céu, estão descompassados. A cena não soa tão estranha, seu corpo está em um localzinho da infância realizando a rotina: escrever. Tão cotidiano como esperar uma mudança.
Flávia Andrade

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