terça-feira, dezembro 16, 2014

   Em algum canto ficou esquecida aquela calma para iniciar assuntos, para falar um pouco sobre a própria vida com a mera intenção de ouvir mais histórias de quem lhe escutava, em algum tropeço deixou a intensidade de olhar para aquele alguém, de se lembrar da falta que trinta e dois minutos sem a presença lhe fazia. Em tantos rostos que repousou um sorriso enquanto, por hábito, ia para o mesmo lugar encontrar seu alguém, talvez tenha deixado mais do que deveria e por um dia de descuido, chegou sério. E entre os desencontros, as horas tantas desmarcadas, entre os atrasos e as explicações, perdeu o interesse em levar frases planejadas para roubar algumas risadas, alguns encantos. E de repente, para aquele alguém que não esperava, mostrou-se só a pessoa que era quando não tinha ninguém, que não pensava muito sobre nada, não elaborava tão bem o que dizia. Em algum engano abandonou suas vontades, o desejo de ficar mais um pouco, o agrado que tentava causar. Em alguma reclamação de cansaço, deixou de vez o esforço para trazer aquele alguém para perto e sem querer tanto, deixou-o, ao poucos, partir. E em um ponto específico, onde nunca tinha ninguém ao redor, onde era só, naquele único lugar que cabiam apenas dois pés percebeu: nos cantos onde foi deixando tudo para trás, deixou o que mais tinha importância em sua vida, perdeu aquele alguém.
— Flávia Andrade



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Natasha

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