terça-feira, fevereiro 17, 2015

    Intitular uma obra pode ser mais trabalhoso que criá-la, afinal, como transmitir toda a essência do que há para ser descoberto sem entregar o ápice, despertar curiosidade e avidez para que um desconhecido queira conhecer seu trabalho e exalar criatividade ao mesmo tempo? E mais, como colocar tudo isso em uma única frase acima de todo seu inspirado esforço?

    Tudo bem, às vezes um título vem repentinamente e você encerra o dia com tudo feito, às vezes você tem o título, mas não tem o resto e mal sabe por onde começar, às vezes você tem título, começo, menos seu pior pesadelo: o fim. Outra coisa acontece frequentemente, está tudo feito e corretamente intitulado, porém - e isso pode soar mais depressivo do que realmente é, aos seus olhos está uma porcaria. E se nem você, que nada mais é do que o criador, aprovou, quem aprovará? Então começa a busca pelos defeitos como um pedreiro analisando a calçada destruída com uma pá de cimento em mãos tapando buraco por buraco e aí, depois de cobrir tudo, o que você vê nem deveria se chamar calçada.

    Dentro da minha mente exausta de busca por títulos começou então um processo de criação de táticas, um jeitinho brasiliterário de resolver um dos problemas que escritores enfrentam. Essa ideia começou a surgir como furto quando um amigo meu e também colaborador deste blog, Roger Portela, contou-me sua teoria para a criação de títulos. Para ele, o rótulo da obra é resultado de uma matemática básica: s + a = x. Eu sei, somos de humanas, explicarei melhor: s é substantivo, + é mais, a é adjetivo, = é igual, x é o título. Una um substantivo e um adjetivo e crie seu título. (Podemos encaixar a Bíblia Sagrada aqui?). Primeiramente lembremos que a ordem dos fatores não altera o resultado, agora pensemos em livros famosos que se encaixam nisso: Laranja Mecânica, O Homem Invisível, Divina Comédia, O Pequeno Príncipe. E aposto que O Menino do Pijama de Listras não ficaria tão bom.

    Concluindo essa primeira linha de pensamento e tediosamente listando as cores em inglês percebi outra chave para bons títulos, mas dessa vez aconteceu observando bandas renomadas: Pink Floyd, Whitesnake, Red Hot Chili Peppers, Black Sabbath, Green Day, Deep Purple. As cores estão em todos e eu não me arrependeria se tivesse me tornado um ídolo usando estes nomes.

     Se as cores são a chave do sucesso para nomear bandas, e a junção de substantivos com adjetivos é chave do sucesso para títulos de livros best sellers, o que acontecerá se você intitular sua próxima obra usando substantivo e adjetivo sendo um deles uma cor? Você pode se tornar milionário, bilionário, pode revolucionar o mundo. Podem criar um prêmio para títulos criativos e que se encaixam em todos os quesitos mencionados no início deste texto. Pode ser a obra do século ou, sendo mais humilde, apenas a obra da década.

     Você ainda não confia? Eu tentarei ajudar mais um pouco, pois também não confio em muito disso. Essas podem ser as piores teorias, principalmente e meramente, pelo fato de serem teorias. Títulos são fundamentais, porém não definem extremamente o conteúdo, podem ser abrangentes, mas o leitor só descobrirá se realmente ler. Gostar ou não gostar é outro tópico mais complexo, mas assim como rótulos, três primeiras páginas ruins podem te fazer desistir de mais de cem páginas maravilhosas ou vice-versa. Assim como rótulos, nada será perfeitamente bem construído do início ao fim para todo mundo. A teoria pode ser ótima, a tática de junção de palavras que soam bem e são magnificamente pronunciáveis pode ser excelente, mas não é uma fórmula mágica e única.

      Pode até doer lá no fundo do orgulho escritor não conseguir elaborar algo tão, aparentemente, simples como o título de sua própria obra. Pode dar aquela pontada deprimente de vontade de reescrever tudo ou simplesmente apagar e começar outro livro, conto, crônica, prosa ou poesia. Contudo, ao alcançar o fim e dar aquele riso aliviado por inteiro, percebemos todos os motivos prazerosos pelos quais chegamos ao ponto final e começamos do zero outra tortura instigante de se dedicar a algo só seu que possivelmente terá chance de ser lido por mais pessoas, tais que desconhecerão (por mais que você tente explicar) toda a loucura para encontrar sempre as palavras certas.

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