terça-feira, junho 30, 2015

    Porque eu sei que quando você olha pra cá não vê nada ao redor, só minhas maneiras erradas de fingir que não te vejo. E sei que, quando volta o olhar para as coisas alheias do seu dia, ainda pensa na menina que mudou em números e continua a mesma em palavras. Não perde nunca sua mania de não cumprir com os desejos de uma vida certinha e corre sempre na contramão dos bons planos, e com esse jeito todo errado acaba me encontrando outra vez, de novo e de novo. Nós sempre tropeçamos nas mesmas pedras, pois ainda somos duas crianças perdidas nesses corpos crescidos. E terminamos na rua sem saída que atrapalha nossas corridas contra o tempo para fazer as coisas que não devem ser feitas, só por oposição aos deveres deixados de lado. Porque eu sei que quando eu olho pra sua direção não é por acaso, é pura sorte que surge depois de tantos dias te procurando. Agora que acabamos aqui mais uma vez, podemos sentar e conversar sobre todas aquelas coisas que fizemos de ponta-cabeça quando se era pra prestar atenção, destilamos os arrependimentos, sacudimos as mãos e vamos embora mais leves. Como a gente sempre faz. Como a gente pensa que a vida é. Porque eu sei que, quando olhamos um pro outro, ouvimos as músicas que ninguém mais ouve, assistimos aos filmes que não passam em nenhuma tevê e pensamos aquilo tudo que não pode ser dito. De longe, se olhando tanto assim, a gente consegue continuar não-seguindo em frente, indo pra todos os lados e voltando ao ponto de partida pra se recompor.

Flávia Andrade

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