sexta-feira, junho 05, 2015

Mochileiros


    Em contraste à sua liberdade, sou um ser humano comum. Não boto uma mochila nas costas para rodar o mundo, só a sacola de compras retornável no ombro para ir ao mercado. Acordo às cinco, enrolo até as seis e saio de casa às sete. Sou tão comum quanto ir de Mario a uma festa fantasia, escolher o sorvete napolitano por completa indecisão e dizer eu te amo para a pessoa errada. Faço as coisas de sempre por dois motivos: não encontro nada mais para fazer e não tenho coragem para procurá-las. Mas você vem com essa completa carga mundana dizendo que quer me levar daqui, e quando vai embora, te procuro. Saio mais cedo, enrolo menos, te busco e digo bobagens até o fim do dia. Atraso os compromissos, escrevo oito textos, olho para o céu como se nele estivesse o sentido da vida. Sou tão comum que quando esses dias acabam, não quero mais levantar, fico desejando que o mundo acabe, que todas as mochilas de viajantes livres sejam despejadas sobre mim, não busco mais nada. Sou tão comum que sofro por quem vai embora, sou quem fica para trás, no mesmo lugar.

Flávia Andrade

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