quarta-feira, junho 17, 2015

Não somos nós



    Eu deixo você se aproximar em silêncio e me deixo silenciar também. Em cima dos simbolismos e subentendidos, a gente se deita. Braços, pernas e bocas bêbadas, hálito de álcool e sede um do outro. Não fazemos amor. Fodemos. Nus. Sem roupas, sem preocupações, sem nada além da pele e da carne e dos corpos que se movem. Ainda é dia, mas o quarto está escuro. A cama é para um, e assim ficamos. Suor, gemido e grito, não há disfarce. Eu deixo você ir embora depois e deixo a chama do isqueiro acender um cigarro. Volte sempre. 

Flávia Andrade

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