segunda-feira, junho 15, 2015

O Lugar Alto da Cidade


    Você ainda se lembra do endereço daquele lugar alto da cidade para onde ia sentir saudade de outro alguém? E me ligava para dizer coisas que só um velho com coração partido num asilo poderia dizer com tamanha naturalidade emocional. E dizia que não precisava ouvir meus conselhos, só precisava contar. E me deixava com um aperto no peito pelo resto da noite, da semana, do mês, querendo te encontrar para tentar resolver tudo com abraços. Você ainda fica sentado naquele gramado do parque fumando um cigarro planejando o futuro que costumava tentar mudar? E lamentava dos erros passados, me dizia que os velhos amigos não eram mais confiáveis e que o velho você estava morrendo, só precisava de uns últimos sufocos. Ainda sai naquele sol de meio dia depois de longas conversas matinais com alguém? Porque você só se deixava abalado até o meio dia, depois a vida mudava, ia para o trabalho, para a faculdade, para o bar, nada te deixava triste, nada te perturbava. Porque você já tinha tido aquelas longas conversas comigo e tudo havia ficado para trás. Até dar meia noite. Até a próxima manhã. Você ainda tem esses tempos regulados? Eu estou perguntando isso porque às vezes te vejo às 15, às 20, e age como um completo estranho na minha frente. E eu não sei bem os motivos. Mas se caso lembrar daquele endereço, peço que anote em algum lugar para mim, eu ando precisando ir para um lugar alto da cidade para sentir saudade de você.

Flávia Andrade

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