terça-feira, agosto 18, 2015

Na tevê

    De repente, eu estava afundada na tela da tevê. Não enxergava nada, só sentia: uma saudade enorme, uma vontade de te ligar pra dizer que o filme que estava passando era tão você que não poderia ser mostrado naquele horário pra todo mundo. Eu mal respirava, nem pensava direito, só tinha esse impulso de ser sua outra vez. Ser sua pra poder dizer qualquer ideia boba que me estava me ocorrendo naquelas horas alheias aos seus compromissos. Eu nem sabia onde você estava. Então, os olhos ficaram marejados, o rosto ardeu, apertei meus lábios: eu não poderia te ligar, não poderia dizer coisa alguma porque faz anos que não nos falamos e faz mais tempo ainda que não somos amigos e um tempo tão maior em que não nos entendemos. Não dava pra ser naquela hora e não daria pra ser dali pra frente. Desliguei a tevê, as cenas continuaram passando na minha mente como se você fosse o protagonista, como se fôssemos nós encenando o roteiro. Eu achei que tinha apagado as memórias suas, mas elas se reinventam a cada dia em todos os meios possíveis, não me deixam esquecer.

Flávia Andrade

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