terça-feira, outubro 13, 2015

    Eu estava indo pela rua sendo um corpo invisível, mas lá do canto vi na esquina umas oito pessoas me encarando. Nem meu casaco cinza e minha calça escura puderam me fazer desaparecer.
    Eu fiquei exposta. O frio batia desde antes, mas a partir dali senti um vento gelado bem mais forte.     Eles ainda me olhavam. Eu que era pura incompreensão e não sabia qual o meu lugar além daquele rumo. Eu que era somente um sentimento indeterminado.
    De tão exposta ao passar por todas aquelas pessoas, andei falando sozinha pelas outras ruas. Fiquei fora de mim, em todos os sentidos da frase. As confusões foram sendo colocadas ao meu redor e eu sem conseguir controlar, sem calar a boca.
    Eu estava resmungando sobre mim. Não estava me aceitando daquele jeito. Reclamava sobre os extremos aos quais costumo chegar. E também lamentava sobre ele, por ser justo a causa da minha loucura. Logo ele que andava tão próximo de mim.
    Eu sabia que só um resto de vinho não tinha sido o suficiente, que o dia não acabaria tão cedo e tão bom, que um dia após o outro nunca é igual. Em um dia a gente é feliz pelo resto da vida, em outro a gente nem quer viver. Há ainda as temporadas nas quais são vinte e nove dias ruins entre o único dia bom. E eu andava sentindo tanta falta daquele um.

Flávia Andrade

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