domingo, novembro 22, 2015

Diário I

Hoje o dia foi um misto de sentimentos, como os meus dias costumavam ser. Eu sinto demais, exageradamente, e isso me fode. Contudo, foi dessa maneira, pois (fundamentalmente) decretei uma mudança.
Anunciei à família que não sou mais vegetariana. Depois de um ano e oito meses, depois de ter comido algumas carnes escondida, depois de ter tentando entender de onde veio a desistência - sem êxito -, confessei. Soou como se fosse algo mais chocante, como se eu tivesse revelado algo como homossexualidade ou gravidez. Meu irmão não quis acreditar durante os primeiros minutos, minha mãe comemorou. De qualquer forma, por agora estou desatada de um movimento da minha vida que me distanciava do senso-comum e da aceitação universal. Parece estranho e, quando para pra pensar melhor, me sinto uma perdedora. Eu não vou até o fim de noventa por cento do que começo, e o vegetarianismo foi uma delas. Entretanto, contudo, todavia, eu sinto que pode ser algo mais otimista que pessimista.
Ter me tornado vegetariana me trouxe experiências únicas, e reflexões necessárias para a fase em que eu estava. Foi a decisão certa por um prazo razoavelmente bom, dependendo do ponto de vista. Eu vivenciei algo que eu mesma decidi, sem influências de pais, amigos, conhecidos. Eu vivenciei a tarefa árdua de estar do lado oposto. Eu comecei a enxergar as necessidades ridículas das pessoas se auto-afirmarem donas de suas verdades, pois o simples fato de ter mudado minha alimentação, restringindo aquilo que elas consideram fundamental (e deliciosa - a carne), causava alvoroço. "Como assim você não come carne?" "Vai comer o que? Alface?" "Mas nem peixe?". Eu ouvi perguntas e afirmações de todos os tipos e aguentei firme enquanto este era o meu propósito e talvez minha luta. Contudo, depois de um tempo, período este iniciado nessas últimas semanas, algumas perguntas e afirmações foram elaboradas dentro de mim. O vegetarianismo veio em mim como uma maneira de chamar atenção? De ser diferente? De ter algo para mostrar? De todos os meus defeitos, esse de "precisar ser notada mostrando alguma coisa especial que talvez poucos realmente se importem" é o pior. E, se foi por isso, eu posso ter rompido com algo maldoso criado por mim e para mim. Isso tudo, ainda que eu não tenha tantas certezas, me empurra para uma nova fase da minha vida.
Agora eu posso estar indo de encontro a novas experiências. Eu tenho aprendido a experimentar mais.
Pequenos detalhes do dia: acordei de ressaca pós-churrasco na casa do Celso, no qual fui com o Dani e observei os caras jogando truco. Acordei impregnada com cheiro de cigarro, mas também misturado ao meu creme de corpo - e eu adoro esse cheiro de manhã -. Tive um bom momento com minha mãe e irmão na cozinha, enquanto todos nós botávamos as mãos na massa preparando o almoço e as sobremesas. Tive o grande momento de anunciação do fim da vida vegetariana. Assisti ao jogo dos Packers e Vickings da NFL (e tive um grande momento de reflexão sobre "por que assisto isso?" e "por que torço para esse time?", e as respostas são muito relacionadas aquele defeito meu "precisar ser notada mostrando alguma coisa especial que talvez poucos realmente se importem"). Pensei no Sete poucas vezes, e só chequei sua última visualização no Whatsapp uma vez - aproveitei para perceber que se completaram três dias sem comunicação e ele não veio atrás, como eu achei que era de costume -. E por fim, decidi, repentinamente, começar a escrever esse diário. Pode me servir pra algo.

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Natasha

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