sexta-feira, janeiro 01, 2016

    O primeiro texto do ano é a primeira conversa comigo mesma, depois de um longo período acompanhado pelo calendário. Até quando os dias pareceram durar décadas, mesmo assim, eram sextas que virariam sábados e correriam para os domingos ignorando a mente presa ainda nas terças. Porque o tempo lá fora passa a cada vinte e quatro horas, mas dentro da gente só passa quando a mente e o coração se alinham, preparados para sei-lá-o-quê que pode nos alcançar. Por vezes alguns porres não me deixaram controlar os pensamentos e por outras vezes a sobriedade não me deu chances de agir por impulso. A vida é um tumulto sensitivo - e tão humano, afinal. Os textos escritos foram repetições de momentos vividos, tão intensos a ponto de significarem coisas novas até o fim deste novo ano e se adequarem ao que há de vir. Os textos que ficaram pra lá ainda vivem, porque independem da data exata em que foram escritos. Mas por agora, somente por agora, o texto prende o antes, o agora e o depois, de uma vez. O sentimento do que poderia ser feito, do que faço e do que poderei fazer. Somente por agora, enquanto escrevo, nas palavras ficam as vontades esperançosas e algumas decepções discretas. Fica a saudade e vem o desejo. Exatamente neste instante, cada palavra minha tenta alcançar duas ou três pessoas especiais, só para pedir que fiquem também. Fiquem como os melhores sentimentos ficarão. Fiquem enquanto o que há de bom durar e cobrir o que sobra de ruim. As palavras querem dizer o que ficou preso no ano passado e flutuarem no ar sem culpa. As palavras são de quem andou aprendendo (sem ter aprendido completamente) que força é também paciência, e vice-versa. São de quem esperou muito, a ponto de entender que esperar tanto é perder tempo. São de quem quis exageros até encontrar felicidade em detalhes. São de quem quer ver e ouvir da vida, por mais um ano, o que há de se fazer para viver em paz.

 Flavia Andrade

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