quarta-feira, maio 25, 2016

Seja forte, demonstre

É preciso que você seja forte, firme, de pedra e sinta o menos possível. Esqueça as mensagens de amor declaradas às duas da manhã, porque é desespero. Não teime em ficar pronta no horário exato combinado, atrase-se, demonstre descompromisso nos cantos mais estreitos da relação que, por virtude, você não irá assumir. Tampouco assuma as vontades ávidas de fugir com ele para o mais distante apenas para ficarem a sós. Engula a sede de beijá-lo por um fim de semana inteiro, de sede só se morre depois de três dias e em três dias a segunda-feira reaparece para te sufocar na rotina cansativa. Trabalhe, estude, cuide da casa e não deixe sobrar mais de meia hora para respondê-lo em caso de convite repentino para uma ida à praça. Não aceite ir à praça, exija mais. É preciso que você tenha pulso firme para rejeitar a simplicidade da vida.

Eles dizem que é preciso que você não seja a melhor que pode ser, apenas para não ser desperdiçada. E então, você se desperdiça sozinha, dentro de você mesma.

Esqueça-os. Não se contenha. Faça.

terça-feira, maio 10, 2016

Não foi falta de coragem sua, nem foram exageros emocionais meus. A culpa é de ninguém. Nos conhecemos em um tempo estranho de nossas vidas; a hora errada para buscarmos em nós dois o que quer que fosse.

Ainda precisamos encontrar em nós mesmos todas as coisas que desejamos no outro, antes que cada um vire idealização. Essa é a particularidade do amor: amar-se o suficiente, ser a si mesmo o suficiente, para então se dar de corpo e alma, entregar-se, transbordar. Não somos tanto assim. Somos falhos – a ponto de aceitar as falhas e parar de lutar no ápice da briga. Somos sóbrios, tememos enlouquecer. Somos presos, porque a imensidão da liberdade ainda nos assusta. E eu não posso querer em você os acertos e insanidades, tampouco achar que me tornarei livre ao te ter comigo. Nem você.

Some a isso o quanto que nos falta para ajeitar em nós um espaço para caber alguém que amamos tanto – e consequentemente a rotina de quem vem se juntar. Saímos da adolescência com uma bagunça incessante de sentimentos novos e desejos à flor da pele, entramos na vida adulta criando tumultos sob obrigações, deveres e quereres. Mal sabemos diferenciar planos, sonhos e objetivos, afinal, devemos separar por tempo de realização ou força de vontade? Está tudo tão confuso.

Das pessoas incríveis que conheci, das relações boas que mantive, você foi o mais especial. Aquele que não esqueço, independente de quanta areia escorra pela ampulheta. E eu desejo que fique, mesmo que não seja como quisemos que fosse, que fique apenas porque nos conhecemos e descobrimos em nós aqueles impulsos de felicidade que proporcionamos.

E se daqui um tempo reencontrarmos em nossas agendas uma nova brecha para tentar o que não deu certo dessa vez, se finalmente estivermos completos, se as vidas não estiverem tão desordenadas como agora, se não precisarmos pensar em tanto “se”, que seja. Eu espero que seja.

sexta-feira, maio 06, 2016

Está tudo aqui. Um carrossel de palavras rodando por mim repetida e exaustivamente. O discurso principal tem apenas três palavras, mas o ensaio inclui gagueiras e palpitações. Eu quero tanto te dizer que de uns tempos pra cá tudo o que eu não pensei sentir além dos meus textos agora sinto. E que naqueles retratos de pessoas felizes até consigo nos enxergar. E quero tanto explicar que sem papel e lápis na mão é tão complicado deixar as frases em ordem com um vocabulário maior que reticências de respiração. Mas está tudo aqui querendo se tornar apenas um amor em queda livre: uma entrega.

Se eu não quase-morresse-quase-sufocasse todas as vezes em que tentasse mover os lábios para te falar tudo o que planejei, eu juro, você iria adorar ouvir. Se meu corpo não me apelasse para desistir depois de sussurrar seu nome, cada palavra dita combinaria com ele. E eu espero que entenda quando te digo coisas absurdas depois de te chamar, é porque metade de mim falha e a outra metade não sabe como reagir. Entro em contradição por dentro e por fora só pareço boba.

Eu sei que eu mesma me impeço de me entregar, apenas porque antes de todos os erros nunca notei os riscos que corria. (Porque se tivéssemos consciência de tudo, não erraríamos). E por mais certo que isso pareça agora, dá um desespero danado de ser só mais uma coisa que me fará chorar daqui uns dias – como as histórias que insistem em se repetir ano a ano. É um medo egocêntrico e cego, mas quem pode julgar quem já anda cheia de remendos? Por todas as vezes em que você me fez me sentir segura, quero pedir desculpas por ter me apavorado. De tão bons os momentos, senti calafrios, como se fossem os últimos vinte passos nas nuvens antes de uma queda no precipício. Percebe o tamanho do meu medo?

Se eu fosse culpar parte do mundo, falaria que nos colocam essa ideia de que amor faz sofrer. Compramos o choro antecipado junto de ingressos para a nova traição do cinema. Levamos sempre conosco os conselhos dos mais velhos que são como vacinas para o pior, mas que só usamos como remédios sem serventia. No meio de tudo, como encontro coragem para te declarar amor? Parece um salto de paraquedas sem o item que o faz abrir. Enquanto não pulo, respiro sempre fundo, me cubro de três pontinhos.

Mas se eu culpo apenas parte de mim, para nos poupar de mais drama e nos deixar completos de vez, venho procurando todas as maneiras possíveis de deixar isso escapar da minha boca sem soar como um grito de socorro para meus tumultos internos. Então, se eu te disser nessa noite que te amo, após interromper algum silêncio, eu quero que prometa por si só que não vai me deixar desabrigada. Porque te confessar qualquer coisa é uma fuga de mim mesma, consumida por uma vontade gritante de me aninhar em você.

quinta-feira, maio 05, 2016

Eu tenho esse vício. Chego a esquecer as chaves de casa no balcão da cozinha enquanto saio sentindo saudades. Inundada, cheia de falta, esqueço até de beber água. (Perdoa se eu te culpar pelo vazio que me torno). Chorei com músicas, passei na sua rua, deixei o arroz queimar na panela. Não pude parar de citar seu nome do meio da roda de amigos, porque todas as histórias me levavam até lembranças suas. Sorri mais do que deveria enquanto contava sobre a vez em que fomos juntos à casa da sua avó, e tive certeza: a saudade se manifesta nas coisas mais banais.

Ao te encontrar, sei que ainda terá alguma falta de você em mim. São tantos dias te querendo por perto que meu corpo se confunde no meio de tanto pedaço seu para sentir, finalmente. É como a dificuldade em respirar fundo depois de um sufoco. É como a voz falha depois de tantos gritos. Por isso, eu sei que não deveria acumular tanta saudade, mas se tornou meu hábito. O meu pior hábito.

Quando você dá o primeiro indício de que já vai embora, – por mais tarde que seja, é sempre cedo demais para ir – metade de mim se esvazia com a falta e a outra metade começa a se preencher com pequenos resquícios que ficam do último encontro. Eu volto para casa relembrando tudo o que aconteceu há poucos minutos, quase fecho os olhos andando pelas calçadas e quase não lembro de abri-los para atravessar as ruas. Vou perdida, pois isso de sentir falta é ficar meio incompleto também.

Toda vez que você vai embora, não há nada que eu faça que não me faça te querer de volta.

quarta-feira, maio 04, 2016

Seja você

Se for o melhor que você puder ser, eu espero que seja. Eu sei como às vezes fica complicado passar os dias acumulando mais do que respirações, sei o quão difícil se torna encontrar um caminho depois da idade em que ganhar mais anos de vida é ganhar mais anos de problemas. Eu vejo o tanto de gente que volta antes de alcançar um objetivo, porque até a metade a pressão faz desistir. Mas se, por agora, essa é a pessoa quem você realmente é e quer ser, eu espero que seja. Eu quero que sorria, sinta-se leve e seja, independentemente do que esteja ao redor, ainda que queiram te trancar num quarto de inseguranças. Se for o que você quer ser, eu espero que faça o melhor todos os dias.

Afundo-me, a fundo de mim

Eu pediria mais um vez desculpas pelo que te causo quando minha mente não me deixa ficar calma. Mas toda vez que tento te confortar após um tumulto meu, me deixo de lado. Por ora, dentro de um egocentrismo necessário, eu vou cuidar de mim - toda vez que noventa por cento do que eu sou não conseguir se conter dentro das adequações que faço para me encaixar em pequenas partes do mundo.

Natasha

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