terça-feira, junho 14, 2016

Os dois lados do travesseiro estão molhados pelo choro, não quero deixar sua camisa assim também. Não quero ser um fardo, pesado e desajustado, para você. Não quero te afogar nesses meus rios. E não querer tanto, até, é querer demais. Sentir tudo isso sozinha implica em não te deixar sentir comigo qualquer coisa. Não te explicar nada implica te fazer supor o que há de pior. Por isso ensaio te dizer toda noite, te dizer que suportar dia após dia é um peso enorme sobre meus ombros, e não quero que tenha que encurvar suas costas também. Ensaio te dizer que esperar pelos dias seguintes envolve dores de cabeça por excesso de ansiedade e, por consequência, insônia. Dizer que eu penso em exagero porque encontrar a hora de parar é quase impossível pelo quanto estou deslocada de tudo. E não quero que se perca nesse meio de paranoias, não quero que me encontre sob tantos escombros. É precisando dizer tanto, que desisto todo dia. Perdoe a contradição.

Desse amor não quero infelicidade, não quero te causar qualquer tristeza perduradora. O tanto que te tumultuo já parece o bastante, antes mesmo de revelar qualquer emoção mais profunda. Eu contaria das frases que você diz despretensioso, mas que ao recebê-las com tanto medo, subverto-as, entendo de outras formas, quase sufoco, não durmo bem. Eu contaria dos pequenos gestos que valem como um resgate de mim mesma, gestos seus que me sobrepõem a tudo de ruim que eu crio para mim e me fazem me sentir bem mais outra vez. Eu diria sobre inúmeras vezes em que eu fiz um outro mundo que combatesse o mundo ruim que me derrubava, e das outras inúmeras vezes que fiz ao contrário e me derrubei sozinha. Falaria do quanto me salvo e do quanto me abandono, do quanto te deixo me salvar e do quanto me preocupo em te deixar entrar por aquela porta pra presenciar mais um pouco do caos que eu sou.

O que eu espero e guardo para você são momentos que te façam sorrir. Por essa razão, evito a cada minuto te trazer mais choro. Sei que merece quem ria das suas graças – e me perdoe por não conseguir rir de mais nada -. Eu estou sempre oscilando, precisando de qualquer certeza sua que me dê uma direção, um rumo. Sempre querendo voltar atrás e desistir, e mesmo assim, sempre tendo aquele impulso contínuo de correr até você. Me perdoe por sumir tanto, eu só quero que aceite minha voltas com saudades transbordadas. E juro que procuro um equilíbrio.

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Natasha

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