domingo, abril 23, 2017

Aos sóbrios as prosas

- Repete o finalzinho daquele poema do Drummond de novo, por favor – eu peço entornando a garrafa de vinho na taça que, a esta altura, foi esvaziada já umas seis vezes intercalada por duas bocas.
- Eu não devia te dizer, mas essa lua, mas esse conhaque...
- Vinho – corrijo apropriando-me do verso.
- Botam a gente comovido como o diabo.
A estrofe sempre me dá um baque de verdade, como se eu me encontrasse ao lado daquele homem franzino e seus óculos e seus papéis de poeta para sentir a comoção da vida vilipendiada pela embriaguez. 

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