quarta-feira, agosto 19, 2015

A rua das sete letras

    Não vou descrever a rua, a rua é nossa e os textos serão pra você. Idas e vindas são muito pouco para nós, somos de voltas, giros, contornos, meia-idas, meia-vindas, danças no asfaltos, pulos, quedas, tropeços, subidas e descidas, desvios. Somos de ficar parados também, às vezes nem furacão e nem caminhão nos move. Digo no presente, mas não há verbo exato quando se trata de nós. Existimos nos anos passados, presentes e futuros. Somos transeuntes de uma rua que, em questão de história, é maior que a infinita highway. E transeunte não se perde no tempo, apenas deixa o tempo se perder. Não descrevo as casas, tampouco as outras pessoas das casas. Somos só nós dois e cada centímetro que pisamos em tantas horas que não esqueço. Pois se esqueço, invento, e vira memória outra vez. Um livro inteiro sobre você, é sua glória ou seu maior medo?

Flávia Andrade

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