quinta-feira, maio 05, 2016

Eu tenho esse vício. Chego a esquecer as chaves de casa no balcão da cozinha enquanto saio sentindo saudades. Inundada, cheia de falta, esqueço até de beber água. (Perdoa se eu te culpar pelo vazio que me torno). Chorei com músicas, passei na sua rua, deixei o arroz queimar na panela. Não pude parar de citar seu nome do meio da roda de amigos, porque todas as histórias me levavam até lembranças suas. Sorri mais do que deveria enquanto contava sobre a vez em que fomos juntos à casa da sua avó, e tive certeza: a saudade se manifesta nas coisas mais banais.

Ao te encontrar, sei que ainda terá alguma falta de você em mim. São tantos dias te querendo por perto que meu corpo se confunde no meio de tanto pedaço seu para sentir, finalmente. É como a dificuldade em respirar fundo depois de um sufoco. É como a voz falha depois de tantos gritos. Por isso, eu sei que não deveria acumular tanta saudade, mas se tornou meu hábito. O meu pior hábito.

Quando você dá o primeiro indício de que já vai embora, – por mais tarde que seja, é sempre cedo demais para ir – metade de mim se esvazia com a falta e a outra metade começa a se preencher com pequenos resquícios que ficam do último encontro. Eu volto para casa relembrando tudo o que aconteceu há poucos minutos, quase fecho os olhos andando pelas calçadas e quase não lembro de abri-los para atravessar as ruas. Vou perdida, pois isso de sentir falta é ficar meio incompleto também.

Toda vez que você vai embora, não há nada que eu faça que não me faça te querer de volta.

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Natasha

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