terça-feira, junho 14, 2016

Eu não ando bem. De janeiro pra cá, de você pra cá, nada bem.

Desde os tempos da escola, do ensino fundamental ao médio, eu já era a pessoa que dificilmente estava disposta a ostentar alguma felicidade plena. Porque sempre fui dessas de sentir demais, em excesso, qualquer coisa por tanta gente diferente. De todos os sentimentais, era sempre eu que levava o troféu de decepções por amores exagerados para casa.

Recusava as festas, porque precisava de horas e horas na cama para idealizar meu futuro. Não ia aos encontros, porque eu sentia que poderia morrer de ansiedade no meio do caminho, porque sentir as sensações que me causavam era mais seguro em casa. Passava o dia esperando por uma ligação, e quando recebia não atendia, porque não sabia o que falar, não tinha voz o suficiente para dizer oi.

De todas as histórias que guardo na memória, só sei lembrar do que senti e do que as pessoas que estavam comigo pareceram sentir. As datas e horários, as ações, as cores, os objetos, isso tudo nunca importou, nem nunca se prendeu na minha mente. Fui feita de fatos invisíveis.

Alcançar os anos iniciais de uma vida adulta só me mostrou que essa personalidade introspectiva, movida por intuições e músicas melodramáticas de amor, que essa pessoa crescida dentro de uma bolha emotiva continuaria seguindo por uma linha cada vez mais tênue entre estar e não estar bem, pendendo mais para lá que para cá. Porque sentir tanto é nunca saber exatamente o que sentir, é pura instabilidade emocional.

Por algum tempo, gostar muito de alguém era somente correr alguns riscos: eu poderia me machucar novamente, poderia colocar um band-aid até sarar e no tempo certo arrancar de uma vez, pronta para outra. Mas depois de tanto, de muito, de um livro de desesperos, gostar muito de alguém como você é mais que correr riscos, é apostar a vida toda que venho tentando construir, tijolo por tijolo – como se fosse palha por palha e você pudesse derrubar tudo com um sopro.

Eu ainda sei, lá no fundo, que você pode me fazer todo o bem que desaprendi a esperar dos outros. Ainda sei que nem todos são ruins. Ainda acredito nos seus jeitos de me cuidar até quando não deixo. Mesmo assim, eu não ando bem – porque sinto um medo gritante de sentir aquelas dores de decepções novamente. Porque me apavoro ao pensar em todos aqueles anos que me afundaram e quase perco a força para emergir.

Me perdoe por não ir te encontrar hoje. Eu não tô bem.

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