quinta-feira, abril 19, 2012

Encantada

  Lembro-me de minha tolice quase infantil, tão inocente, que por tempos fez com que meus pensamentos permanecessem ligados em acasos e expectativas que criei para um dia encontrá-lo e dizer o quanto o amei. 
   No fundo da última gaveta da cômoda, embaixo das roupas de frio tão velhas que nunca mais usei e com certeza não vou mais usar, encontrei bilhões de cartas que escrevi e nunca entreguei. Cheias de bobagens. Encontrei também os cadernos antigos, espalhados em meio ao livros das páginas que tanto me agrada o cheiro, as últimas folhas rabiscadas com as inicias de seu nome e do meu nome, seguidos por milhares corações. Tão clichê! Intensamente ingênuos. 
   E agora eu penso em como tudo está se repetindo, voltei a escrever iniciais, mas dessa vez, seguidas delas estão textos que expressam meus sentimentos de forma que me assusta, logo eu que sempre os escondi tanto. Eu tenho isso de me apegar fácil, de me apaixonar rápido, na verdade, de me encantar como quem se joga em um precipício, e começar a lotar folhas e acabar com os dedos por escrever incontáveis cartas, histórias, músicas sem melodias, tudo confuso. Quando eu só quero confessar que não sei lidar com o fato de amar alguém tanto quanto eu amei o menino das iniciais no fim dos meus cadernos do ensino fundamental, e sentir tantos ciumes do garoto dono do 'ele' dos meus atuais textos. Eu não sei lidar com esse tal amor, com esse tal encanto, com isso de transbordar reações imprevisíveis.

Flávia Andrade

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