domingo, abril 12, 2015


    Chega tarde, não tem bancos, senta-se na grama com formigas e alguns receios, tais como ver alguém passar. Seja algum conhecido, velho amigo ou decepcionador. A mente ainda não se desligou, a caminhada foi longa em busca de paz, mas ainda pensa em outras semanas, pensa sobre aquele dia mais cedo, o almoço, a hora de ir para casa. Se pergunta se alguém vai aparecer e notar, se alguma coisa chegará para preencher o que tem vivido. Pois a vida nunca parece boa o suficiente quando o ano se desenrola e as metas feitas na virada antes dos fogos de artifício não se realizam, quando o acontecimento que parecia um sonho excepcional não é tão grandioso assim. Chega tarde porque o tempo já se perdeu e não tem mais ânimo de ver a vida acontecer. O lugar não tem bancos, mas tem folhas bonitas, amassadas no chão. É primeiro dia de primavera, mas algo diz que a estação nada tem a ver com o céu, estão descompassados. A cena não soa tão estranha, seu corpo está em um localzinho da infância realizando a rotina: escrever. Tão cotidiano como esperar uma mudança.

Flávia Andrade

Observação: texto reescrito à partir deste.

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