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fevereiro 16, 2016

Auto-(p)reparo

    Se daqui um tempo eu não for te ver mais, me avise por agora, pra me sobrar no fundo do bolso um dinheiro para o bar e o táxi. Eu não sou dessas de borrar rímel, andando com os saltos nas mãos nas ruas de madrugada, mas sei fazer meus dramas, sei me afogar em destilados. E, se você oscilar por um momento enquanto estiver comigo, pode me dizer sem medo, para que eu possa me preparar para um desfecho não precipitado. Porque, apenas por estar aqui mais uma vez ao seu lado, já é cair em precipício e me arriscar demais. Somente por ter vindo a outro encontro. Se for acabar, que acabe um pouco antes do fim derradeiro, como se os créditos de um filme subissem antes da cena final. Quem sabe assim ainda me reste algum tempo para fugir primeiro.
Flavia Andrade

janeiro 28, 2016

Antes do fim

    Qual foi o dia desse mês que você tirou para me deixar de novo? Que não seja outra segunda-feira. E qual será o dia em que vai enjoar do tanto de histórias que conto antes de você pegar no sono? Eu posso tentar escrevê-las, em silêncio, para evitar desperdício. Qual é o tamanho da saudade que você vai sentir até o próximo final de semana? A minha já alcança alguns satélites, fazendo o tempo parecer uma areia emperrada na ampulheta. Para onde você vai depois que chega cansado de um encontro nosso? Para mim não existe nenhuma outra possibilidade além de deitar a cabeça no travesseiro e refazer memórias (até o quarto sente saudade). Quem é você depois que me vê? Alguém mais sorridente ou alguém mais quieto? Alguém mais feliz ou alguém mais exausto? Eu venho te fazendo algum bem? De uns tempos pra cá, quando só gostar muito de você parou de ser o suficiente, eu venho me perguntando quanta coisa pouca ainda nos resta até tudo acabar. Eu sinto muito desde agora, sentindo que te perdi desde o começo da semana passada. Eu sinto os detalhes me dando avisos e quero respostas suas para ter certeza. Por quanto tempo a gente vai se distanciar até perceber que já estamos em mundos diferentes?


Flavia Andrade

dezembro 17, 2015

Guria de papel

    Foi em um dia de sol, no qual o sol parecia desenhado e pintado com lápis de colorir amarelo: estava ali só de enfeite e não queimava, foi num dia desses que aquela menina nasceu. Sem dentes, embora já soubessem que logo que aparecessem também iriam amarelar. Ela nasceu felina, feito gato: ficou pouco com a mãe e logo foi largada no mundo. Não teve dono também.
    A menina ficou ali precisando de leite, mas só tinha sete vidas persistentes e vento nenhum, chuva nenhuma a fez se perder dela mesma. Suportou todos os traços coloridos de alguém bondoso que ainda se dava ao trabalho de pintar um céu inteiro para ela e, vez ou outra, coloria uns carros na cidade que tinham barulho só de papel amassando na mochila no meio dos cadernos.
    A menina nasceu no ar, tão abandonada e sem atenção que quase virou bolinha arremessada na lixeira do canto da sala de aula para crianças. Mas era sortuda, tão sortuda que foi esquecida na mesa mais limpinha e lá teve oportunidade de sentir o cheiro da merenda e o passar dos dias.
    Tinha olhos pregados pra direção exata de olhar pra fora e enxergar o universo no qual não poderia estar, mas, de alguma forma, vinha de lá realmente. 

novembro 09, 2015

Jantar entalado na garganta

    Os garfos e as facas riscam os pratos. Servimos pouca comida, fizemos pouca janta. Hoje ninguém ligou o som ou quis ver algo na tevê, a casa está em silêncio. Os assuntos estão perdidos lá para fora, sempre que entramos em casa os deixamos. Estamos aqui com as mentes atentas a qualquer coisa melhor que ficou em outro ambiente há algumas horas atrás. Estarmos aqui é sufoco.

setembro 01, 2015

choro contid(g)o

    vejo seus lábios se estreitarem, fechadinhos, deixando as bochechas mais cheias, numa mordida escondida meio de lado. os olhos ficam marejados, tem um mini rio em cada um. vejo o resto do corpo ficar parado, na minha frente, esperando por um vento que te empurre pra longe, por uma mão que te puxe, por alguém que te busque, mas eu também não consigo me mover daqui. vejo a gente sem lugar pra ir, sem sono e com esses choros presos como o seu cabelo: curto, com umas amarrações no alto e várias pontas escapando por todos os lados. se você deixar sua tristeza escapar, eu deixo a minha ir também. se por um acaso não for mais possível ficar aqui, se por um destino inventado qualquer você se jogar na frente de um carro, eu corro um pouco atrás, te socorro ou deixo me atropelar junto. porque, meu bem, eu 'tô nesse barco, nessa fria, nesse jogo, nessa vida, nesse mundo também. eu vejo sua história e leio a minha, elas se encontram em alguns parágrafos. te tiro pra dançar na balada triste das músicas obscuras, te faço rodar pras lágrimas voarem e molharem o chão, não sua roupa; disfarço suas fungadas com cafunés, entendo toda a dor no meio do jogo de luz preto e branco. vejo cada extensão trêmula do seu rosto, sinto tudo por dentro de mim tremer também, mas te digo que em breve vamos sorrir.

flávia andrade

agosto 26, 2015

Invisível

    Não sei se existo ainda, ou se só sou saudade e fome. Ofereceram um brinde a mim no bar, mas eu nem soube chegar em casa. Não sei se aquele cara dos olhos semicerrados deixou alguma parte do que eu era para sobreviver, ou se levou para jogar na lixeira mais distante. Me desejaram parabéns, eu nem sei se meu aniversário já chegou. Vivo como barata: fugindo de quem é maior, tendo má aparência, fingindo que sei voar. O som do meu R, o som do meu L, o som do nome dele escapando da minha boca. Os sons escapam, correm as paredes durante a noite e quando eu saio do quarto todos sabem em quem estive pensando. Não sei se ainda vivo, se sou só um sentimento corrompido, se é possível, ao menos, me enxergar. Não sei se estou aqui ou se já perdi as estribeiras, as barreiras, as coordenadas. Não sei se apenas não me vejo ou se sumi como nuvem de fumaça tragada, sendo resto daquilo que prejudicou bem dentro do corpo.
 Flávia Andrade

agosto 18, 2015

Na tevê

    De repente, eu estava afundada na tela da tevê. Não enxergava nada, só sentia: uma saudade enorme, uma vontade de te ligar pra dizer que o filme que estava passando era tão você que não poderia ser mostrado naquele horário pra todo mundo. Eu mal respirava, nem pensava direito, só tinha esse impulso de ser sua outra vez. Ser sua pra poder dizer qualquer ideia boba que me estava me ocorrendo naquelas horas alheias aos seus compromissos. Eu nem sabia onde você estava. Então, os olhos ficaram marejados, o rosto ardeu, apertei meus lábios: eu não poderia te ligar, não poderia dizer coisa alguma porque faz anos que não nos falamos e faz mais tempo ainda que não somos amigos e um tempo tão maior em que não nos entendemos. Não dava pra ser naquela hora e não daria pra ser dali pra frente. Desliguei a tevê, as cenas continuaram passando na minha mente como se você fosse o protagonista, como se fôssemos nós encenando o roteiro. Eu achei que tinha apagado as memórias suas, mas elas se reinventam a cada dia em todos os meios possíveis, não me deixam esquecer.

Flávia Andrade

agosto 05, 2015

Da janela do ônibus


    Fico perdida, por acaso, no caminho para lugares sem importância dentro de um ônibus lotado, enquanto começo a pensar em todas as coisas que eu deveria ter dito quando você esperou respostas, em todas as coisas que eu deveria ter feito quando você não esperou nada, e tudo o que eu deveria ter deixado para trás antes que ficassem cravadas em mim. No meu rosto algum sorriso às vezes escapa alheio às coisas boas que lembro, aos meus desesperos a toas e aos mal entendidos que depois foram resolvidos. Adentro outros universos enquanto não chego ao destino do outro lado da cidade, de toda forma, ando percorrendo extremos. Fujo de mim porque de jeito nenhum me comporto nesse corpo sem calor seu. Quando me desligo, assim, tão fácil quanto pagar com moedas pelo meio de transporte coletivo, dou jeito de me desligar tanto até não estar mais presente. Vou para onde meus braços te alcançam e refaço aqueles dias que não deram certo.
    Mas o ônibus chega e para. Eu tenho que acordar e descer. Tenho que levar essa vida como quem leva todas as compras numa sacola pendurada no ombro esquerdo. Tenho que me encontrar nos lugares onde não te vejo e andar até os lugares que preciso ir para não ser só mais uma perdida na multidão.


Flavia Andrade

Sigo só


    Sigo só. O dia acabou, meu bem, e você não apareceu. Não passou por essa rua, não contou as horas, não lembrou do convite feito e aceito. Para mim, foi um vasto dia de espera. Eu pensei em ir até você e descobrir seus motivos inventados e tentar acreditar em algum. Até pensei em refazer o convite para uma data menos tumultuada que essa terça-feira. Mas minhas pernas ficaram exaustas pela inquietude que me fez rodar em círculos te esperando vir de qualquer lado do planeta para me ver. Sigo só. De mim não espero nada, sou feita por erros e erros nunca são planos. Então sigo sem ansiedade, sigo porque já escureceu e não posso ficar mais horas por aqui. Cada hora de espera física são mil horas de confusões internas e mentais, guerras de silêncio e gritos na cabeça. De longe, espero que não fique só. Seja em qualquer lugar que esteja sem mim, pois eu sei bem como dói, cansa e dá sede. Sei bem como incomoda, irrita e bate medo. Sei bem como é desesperador e como é preciso manter disfarce de calmaria. Sigo só, para você se encher de todas as outras coisas ou pessoas que não te deixaram chegar até aqui.


Flavia Andrade

julho 21, 2015

Esfriou-se


    Nos tornamos café morno sem açúcar e não conseguimos mais nos digerir. Estamos entalados em nossas gargantas sem socorro. Estamos sufocados com o gosto amargo na boca. Estamos precisando vomitar de volta essa coisa ruim.

Flávia Andrade

junho 20, 2015

A gente invertido


     Olha você, do outro lado da rua, prestes a atropelar meu auto controle. Quase indo para a outra direção para me forçar a correr atrás às cegas entre pessoas que não nos conhecem. Desviando de um por um como se fossem trezentos e tentando te alcançar como se há alguns meses não tivéssemos posto fim  a nós. Aquilo que chamávamos de nós. Olha pra mim, nessa calçada, a mesma. Digo, a calçada, eu, a situação, tudo a mesma. Você mudou tanto e, olha pra mim. O auto controle termina em cinco, quatro, três, e você dobra a esquina. O auto controle retorna, está tudo bem. Não vou fugir de mim para te alcançar outra vez. Só comigo me acertei, enquanto você só me fez chorar em frente a televisão com novelas das nove. Olha pra você, com toda essa velocidade se afastando, ignorando semáforos, não tendo lembranças das ruas que deixou para trás. E eu perdida em cada pedra no caminho, olha pra mim. Peço sem motivo, para ver se sente alguma coisa mínima minúscula intangível imperceptível inexistente ainda. Olha pra gente, quase outro mundo ou quase o mesmo mundo invertido. Você se afasta, e eu ando em círculos. 

Flávia Andrade

maio 29, 2015

Frio atoa


    Me diz o que é que eu faço com esse frio? Se você já não aquece mais. Se sopa, cobertor e filme não aquecem. Se não sair de casa e casacos não aquecem. Se morrer um pouco por sua causa só me congela. Se nossos planos despencam como a temperatura. Dá uma resposta, porque nada mais resolve, e o frio persegue como se eu já tivesse fugido desse país, como se a vida já fosse outra e as coisas assim não se combinam, mas estão próximas assim como nós estamos, e do que adianta? Digo, nós e o frio, do que adianta?

Flavia Andrade

Um só rumo


    Não fosse o medo de nunca mais te ver, eu já estaria bem longe desse tumulto que causamos. Inda que estivéssemos um pouco pior, se acabasse a bebida, se a música parasse de tocar, as boates fechassem, o mundo entrasse em greve, se só restasse sua casa pra ir, eu me aninhava sem contradições. Eu tomaria seu cobertor pra mim, e seus filmes e seus discos e seus maços e seus violões e sua rotina desesperadora. Se não fosse o medo de você me mandar embora, eu até voltava a frequentar esse lugarzinho seu.

Flávia Andrade

maio 19, 2015

Dominó


    Acredita quando quer em tudo o que não pode acreditar a vida inteira, assim resgata, sempre que possível, um viés de astrologia, de fé ou coisa que valha para si. Às vezes se sente como uma peça de dominó prestes a cair na sequência, ou ainda, uma peça de dominó que caiu sozinha quando todas as outras continuaram estáticas. Por isso, acredita só de vez em quando que algo bom pode vir com o sol, no ar, por boas vibrações e passa o resto da vida não esperando por nada, porque esperar causa um cansaço maior do que pode suportar junto de todo o peso das coisas que não dão certo. Por isso acredita, como quem não quer nada, em destino e depois segue sem procurar por rumo exato.

Flávia Andrade

abril 21, 2015

Sobre fingir tanto


    Venho sendo um pouco mais do que posso, pois só amor não enche o que falta em mim para te surpreender, e meu esforço tem cuidados enormes para que passe despercebido, para parecer ser espontâneo. Venho sendo, entre tanto do que sou e não posso te mostrar, aquela que talvez possa receber um reconhecimento tardio, que você possa finalmente perceber e dizer que é com ela que quer ficar. Mas assim, meu bem, viro uma música de letra e melodia bonita que não significa nada.

Flávia Andrade

abril 12, 2015

A Ida Melancólica ao Parque


    Chega tarde, não tem bancos, senta-se na grama com formigas e alguns receios, tais como ver alguém passar. Seja algum conhecido, velho amigo ou decepcionador. A mente ainda não se desligou, a caminhada foi longa em busca de paz, mas ainda pensa em outras semanas, pensa sobre aquele dia mais cedo, o almoço, a hora de ir para casa. Se pergunta se alguém vai aparecer e notar, se alguma coisa chegará para preencher o que tem vivido. Pois a vida nunca parece boa o suficiente quando o ano se desenrola e as metas feitas na virada antes dos fogos de artifício não se realizam, quando o acontecimento que parecia um sonho excepcional não é tão grandioso assim. Chega tarde porque o tempo já se perdeu e não tem mais ânimo de ver a vida acontecer. O lugar não tem bancos, mas tem folhas bonitas, amassadas no chão. É primeiro dia de primavera, mas algo diz que a estação nada tem a ver com o céu, estão descompassados. A cena não soa tão estranha, seu corpo está em um localzinho da infância realizando a rotina: escrever. Tão cotidiano como esperar uma mudança.

Flávia Andrade

Observação: texto reescrito à partir deste.

abril 03, 2015

Um Sujeito e sua Oração



    Deus, joga a chuva aqui pra dentro de casa pra disfarçar essas minhas lágrimas, manda um vendaval pra que leve embora todo objeto e sentimento dele que ficou. Depois eu recupero o teto, só não dá pra viver com o coração doendo tanto. Se o tempo que passa não muda, me ajuda num jeito de me ajeitar, de dar outro rumo que dessa vez dê certo, de cometer um acerto que supere os erros. Se uma confusão dessa acontece, um tempo ruim desse adentra minha porta, ao menos funciona pra que qualquer dia desses eu possa pedir: devolve o sol, por favor, eu já consigo sair e me desprender daqui.

Flávia Andrade

março 04, 2015

Não Recuse Essa Carta


    Perdoa não cumprir as coisas que te prometi, as coisas prometidas para mim eu não cumpri também. Eu oscilo a cada passo, sou sempre um planejamento em desordem, um prédio que inclina um pouco mais a cada mês. Se penso que sigo frente estou somente retornando, se eu te deixo para trás é porque quero te levar comigo. Se desisto é porque ainda sonho e se ainda sonho é porque uma hora não vou querer mais. Eu sei que não posso decidir mais nada, não passo de um tumulto. Eu sei que não posso pedir mais, não passo de algo momentâneo que se torna desistente. Eu sei que não posso te fazer outra promessa, você não ouviu nem a primeira. Perdoa, eu só precisava explicar que se para você eu sou tão errada, para mim não tenho sido nada certa também.

fevereiro 17, 2015

Regresso



    Já duvidou daquilo que, se caso fosse sincero, mudaria sua vida? Um frio congelante dentro de você e uma tontura exaustiva dentro da mente após ouvir um "eu te amo". A tormenta de não saber como lidar com uma notícia boa que alavancaria toda sua carreira para a qual tanto se dedicou. O medo extremo de errar mesmo tendo na consciência a exatidão de que fez tudo certo. O desespero a cada batida na porta como se fossem te roubar para outro planeta enquanto senta com uma xícara de café esperando aquela visita boa. É como estar só no meio da multidão, com a feição séria no meio dos risos, com os olhos marejados enquanto os outros somente brilham. É como prever o futuro com erros do passado, ver refletido no espelho somente quem você não quis ser e não acredita que pode mudar. É uma prisão dentro de si mesmo. Já duvidou sobre ser amado por alguém? Pensou que pudessem sentir pena, compaixão, qualquer coisa por você, menos amor. Já esteve à beira do precipício sem expectativa de volta e com pensamentos suicidas que antes eram somente uma angústia no fundo do peito? Aquele medo de achar que está seguindo em frente, mas apenas voltando atrás ou andando em círculos, aquele receio de caminhos desconhecidos que podem ferir seus pés mais ainda, aquele despreparo para levar alguém junto e a vontade de correr sozinho para bem longe mesmo precisando de sossego em um abraço. Já pensou ser um caso perdido? Alguém sem fé, sem perspectivas, sem nada mais para ganhar, alguém que não merece nada bom.


fevereiro 16, 2015

Que me sufoca



    Você pergunta se estou bem e eu gostaria de dizer que estou agoniada, pois tento fazer qualquer coisa que te tire da minha cabeça, mas você interrompe todas essas coisas quase sem querer. Gostaria de dizer que estou exausta, a cada dia fica mais complicado pensar em nós porque tem sempre um motivo novo para desistir e três outros para insistir. Eu queria dizer que até sinto tonturas enquanto encontro razões diferentes para coisas que você disse há tanto tempo e que eu vou perdendo a exatidão e só vou me recordando do que senti. E eu gostaria de dizer que estou confusa, os sentimentos nunca estiveram tão bagunçados para mim como estão agora e que o agora é o espaço-tempo que adentrei quando te conheci. Gostaria de dizer que até sinto um sufoco. Eu gostaria de confessar que na memória eu tenho uma caixinha toda sobre você na qual guardei detalhes do seu sorriso, voz e essas coisas que você já sabe de cor que eu gosto porque, sabe, já deixei escapar. E eu gostaria de dizer que estou louca, só para retornar às discussões passadas porque agora eu tenho respostas e elaborei bons argumentos, gostaria de voltar aos diálogos de semanas atrás porque agora eu sei bem o que dizer. Eu queria que você soubesse que eu me esforço para fingir que não me importo tanto, mas que quando tento contradizer qualquer coisa relacionada a você não consigo. E eu faria um drama imenso sobre tudo isso que sinto e pediria para você vir me ver, ficar até o resto da vida só para eu ser feliz. Mas eu respondo que estou bem, você segue com o seu dia tranquilo e eu sigo com o meu, esse dia de sempre, dia de ter tanto para dizer e somente acumular.


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