quinta-feira, julho 16, 2015

Quis que fosse


     Eu me encontrei nas páginas dos escritores esquecidos, nos blues que tocaram em lugar nenhum e nos filmes sem investimentos. Eu te levei para me conhecer nos lugares abandonados que ninguém nunca gostou de visitar, e eu disse: podemos ficar por aqui. Quis que você entendesse, no intervalo de horas não contadas, que eu era somente um erro vulgar. Quis que você gostasse. Então você me buscou, me apresentou os livros mais lidos, as músicas perdidas em baterias e os filmes mais caros que duas vidas. Você me trouxe ao lugarzinho movimentado no meio de uma rua cheia e disse poesias sobre tumulto e silêncio. Podemos estar em qualquer lugar, você disse. Quis que eu percebesse, entre o barulho do tráfego e o som chiado do rádio, que você não se importava com as minhas estranhezas. Quis que a gente ficasse.

Flávia Andrade

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