segunda-feira, agosto 10, 2015

Desatenção

    Se você precisa me perguntar, não esteve olhando o suficiente. Eu dei todos os sinais o tempo todo, nas filas, nos bancos e nos veículos. Eu disse palavras perdidas que significaram mais do que livros, disse nas avenidas, nos bares, nas casas. Se você ainda tem dúvidas, não esteve me ouvindo por muito tempo. Eu gritei todos os planos do alto do prédio onde você mora, eu cantei aquelas músicas sem fim sobre a gente. Por todo lugar que passamos, uma pista mínima ficou, caso volte para refazer o caminho. Mas se ainda está aqui me perguntando, não quis andar nenhum pouco pra trás. Se não pode voltar, não pode seguir em frente também. Se eu seguir sozinha, não questione o motivo. Esse é mais um daqueles textos que você não lê, mas deveria. Essas são mais uma daquelas palavras que você não escuta, mas eu ainda digo. Tenho um tanto de sentimento que vai ser empurrado numa caixa para que caiba, vou largar por aí. Traço minha rota de fuga e em silêncio faço uma festa de despedida, pra não dizer que fui sem dizer adeus algum. Se você não souber achar, é porque já me perdeu há muito tempo, é porque o acaso esteve certo sobre vestir as minhas botas e andar pra longe.


Flavia Andrade

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