dezembro 12, 2013

Notas de um devaneado. Parte I

Ela diz que não dá a mínima para a diminuição de tempo de vida que o cigarro causa e que, de qualquer maneira, pode morrer de repente.  Eu gostaria de ter esse mesmo ponto de vista ou ao menos aceita-lo. O problema é que por ela eu parei de tentar me matar, por causa daquele sorriso devastador eu parei de chorar, me tornei tão firme e corajoso, passei a parar de me esconder dos monstros a noite, pois quando ela esteve com medo, eu levantei e lutei contra eles.  O problema é que eu busquei pela vida, alcancei-a, abri os olhos para a realidade, me dediquei a cada dia. Toda segunda feira após acordar, sentava-me na cama e dizia a mim mesmo: Vou aguentar, só mais hoje. Eu juro, eu não vou desistir hoje. E eu repeti isso nas terças, quartas, quintas... Durante a semana, os meses e os anos. Eu não vivi intensamente, mas eu vivi.  Meus pensamentos suicidas continuavam me rodeando a cada desastre em minha vida (e foram tantos!), mas eu me mantive firme. Esse era o problema. Porque eu estava ali vivendo por ela enquanto ela estava se matando por um descaso filho da puta. A cada cigarro finalizado eu vejo um desperdício de dedicação meu aumentar na lista. Parei de viver forçadamente, agora vivo por mera acomodação. Mas foi um caminho árduo até aqui.
- Apague essa porra desse cigarro! - Esbravejei de repente.
  Ela riu melancólica.
 - Apague você.
  Eu não sei que força me levou até ela e levantou  minha mão, mas rapidamente aquela merda esfumaçante foi para o chão.

Flávia Andrade
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