Delírio imediato de solidão constante

por - abril 24, 2017

JuxtapozMrzykMoriceau29

    Que seus olhos não alcancem meus passos apressados para longe da sua casa rua à frente, sempre em frente. Que não descubra a coragem que não tive para parar, dizer que estava por perto e decidi trazer meu corpo cansado para o seu sofá em troca de uma conversa longa. Porque agora, sobre você, sou somente silêncio. Ou no máximo palavras entaladas na garganta. Então ando mais rápido, quase corro para longe do seu portão reformado com uma nova cor e tento esquecer que estive tão próxima a ponto de sentir um pouco daquele cheiro da sua sala de estar que tem sempre os móveis em lugares diferentes. Talvez, se eu tivesse me deixado bater palmas buscando curiosa sua presença dentro da casa, você teria se escorado no muro para falar displicentemente sobre o que nenhum de nós quer ouvir sem me oferecer um convite. Um convite para sua hora, seu dia, sua semana. E não sou mais capaz de ser quem não encontra espaço onde quer estar, portanto, percorro caminhos que não me devem nada, caminhos que são descobertas e a eles me faço pertencer. Se me avistar por essas ruas, por esse bairro, talvez até mais distante, eu ando me perdendo para não lembrar que uma vez me encontrei onde não devia.   

Flávia Andrade

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