agosto 06, 2017

Poetas que estragam palavras não são poetas

Scatola di Colore, Ettore Spalletti, 1991.

    Ele era poeta. Dessas poesias frouxas que não se arriscam. Achava que pinta de autor era adquirida ao falar sobre as rimas que fez na última noite. Falava que preferia a solidão, sabendo que na certa morreria se ela se fizesse presente com obrigatoriedade. Confessou-me uma vez que amava a palavra "caos". Ele, aquele porre, porre de quem bebe um copo de cerveja e boceja. Meus ouvidos doeram, frágeis para tanta baboseira. Recebi um exemplar de conjunto de poemas seus. Caos em cada página. Nunca mais usei a palavra em meus textos. Ele a estragou e compreendi. Poetas que estragam palavras não são poetas. Seus poemas têm cheiro azedo, de leite esquecido fora da geladeira que ninguém quis tomar. Não me descem.

Flavia Andrade
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