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abril 17, 2015

Toda Devaneio

 

   Ela parece personagem fugitiva de um filme de tragédia cômica. Quando está com medo desembesta a falar (com um palavreado não cabível no texto) sobre inúmeras possibilidades azaradas e usa porcentagens de pesquisas não feitas para apontar o quanto seu medo, no-fundo-no-fundo, é válido  dadas as circunstâncias. Quando argumenta com sua voz desenfreada, escondendo descaradamente o receio de estar dizendo algo errado, gesticula sem perceber e vez ou outra diz boas frases ou coisa que o valha. Quando dança desarticulada em relação ao resto do mundo que está sempre parado enquanto ela se move, até deixa em deslizes um pouco de esforço para acertar o ritmo, embora grite aos quatro ventos que pouco se importa. Aliás, quando ela finge que não se importa, mesmo que esteja se tornando um acumulo ambulante de importâncias, desenterra forças dentro de si para não demonstrar em momento algum que seu coração é bem maior. Mas ela deixa, por descuido ou cansaço, que em detalhes possa ser percebido todo o amor que sente. E quando ama, e aqui entramos em uma narração distante das características mais profundas, mistura todas as suas loucuras disfarçadas, torna-se, de longe, um ser incoeso e peculiar que precisa de teorias aprofundadas para ser compreendido. Não desiste, nem por somente alguns segundos, de amar mais do que sente, de transbordar mais do que pode e de se esforçar mais do que seja merecido ao outro. E quando vive, de verdade, sem pensar duas vezes ou se mascarar, com todos esses devaneios, venetas e explosões, é a criatura mais humana que posso ter conhecido.

Flávia Andrade

fevereiro 16, 2013

Confissões de um apaixonado #3

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- Desculpa.
- Não há culpa.
   Levantou-se e sorriu. O que ela era? Um bicho de sete cabeças. Rotulei-a e foi assim. Ela não tinha as complicações de uma mulher, não tinha os defeitos femininos. Mas tinha seus assombros que eu talvez deva dizer: meus assombros à respeito dela. Contudo, às vezes a desvendava, mesmo que não sorrisse eu reconhecia sua felicidade e mesmo não chorando, eu notava quando havia algo perturbando-a. Porém era impossível decifrar seus pensamentos, enquanto eu apenas enlouquecia. Aquela garota atiçou-me no fogo brando e ardente, ela arruinou minha mesmice e monotonia, ela me mostrou o lado errado de estar certo.
   Enquanto bagunçava o meu cabelo e viajava em minhas loucuras, me questionava quando é que me apaixonei, inclusive, o que me fez desejá-la tanto? Eu gostava das coisas simples e agora estava me encaminhando para dentro de um furacão. Ela me drogou com seu sorriso melancólico e me entorpeceu.

Flávia Andrade

fevereiro 15, 2013

Confissões de um apaixonado #2

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- Não se aproxime muito de mim. - Ela pediu. - Digo, não crie vínculos afetivos. Eu não fui criada para isso.
 Estranhei. Do que diabos ela estava falando?
- Olhe, eu não sei o que está querendo dizer.
- Apenas não se apaixone.
- O que?
- Por mim. Não se apaixone por mim.
- Você está de brincadeira, não é? - Eu perguntei rindo.
- Não. - Respondeu séria.
- Claro que não irei me apaixonar. - Comentei com voz de desdém, porém... Havia um porém que eu desconhecia.

                                                                                                                           Flávia Andrade

Confissões de um apaixonado #1

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   Com o olhar atravessando a janela do meu quarto e alcançando a janela da sala dela, fitei-a escorada na parte de trás do sofá, conversando em seu celular e sorrindo. Por que ela nunca sorriu pra mim? Continuei olhando-a andando lentamente em círculos pela sala e soltando gargalhadas. O quão belo meus olhos enxergavam aquela cena? Eu estava me apaixonando, eu sabia disso.

Flávia Andrade
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