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agosto 13, 2015

fica bem, menina

    ô, menina, chora não. nada vai voltar pro lugar onde você pôs como se fosse enfeite, e tudo vai se quebrar por aí fora dos seus cuidados. você já fez o que deveria fazer, já deu seus braços, pernas e ideias praquilo que não soube aproveitar. se acalma mais um pouco que depois desse instante será amanhã, e amanhã todos vão querer te ver. vão te esperar nas janelas e na porta, vão te esperar em todos os quarteirões, vão procurar sua cara de choro. você só pode sair com o rosto bem seco, com um sorriso grande pra buscar uma nova de-coração pra ficar do seu lado outra vez. só pode sair quando já tiver um jeito de ser feliz novamente, nem precisa mostrar. arranja e guarda, quero que guarde bem. chora não, ele não vem mais, os dias não voltam pra trás e você precisa enfrentar filas pra pagar suas contas, pra ir ao cinema, pra comprar mais coisas pruma casa pra uma. o mundo todo é passageiro, menina, e você também tem que passar de mansinho por todo mundo.


flávia andrade

agosto 12, 2015

Mudanças

     Uma hora ou outra um tanto de pessoas vai ficar pra trás. Você pode se manter vivendo e sonhando no mesmo lugar, mas estará vivendo e sonhando diferente, e uma quantidade enorme de gente dos seus anos passados não vai se adequar mais e vai embora. Passo a passo, até que você só note quando já estiverem distantes. Acontece porque o tempo não está parado esperando que as mesmas pessoas sorriam umas para as outras todas as manhãs. Será benéfico se você aceitar mudanças, será doloroso se entender como perdas.

Flávia Andrade

agosto 11, 2015

Escapatórias

    Se você não foge no meio dos filmes, sei que foge dentro duma música, escapa numa leitura, viaja pra longe ou finge ser outra pessoa por um dia inteiro. Ninguém pode ficar aqui o tempo todo, a vida não é um cubículo fechado. Nem adianta trancar as portas, elas se desfazem em tempo de chuva, não aguentam nada. Se você não foge prum lugar alto da cidade, deve ser que foge prum porão, pruma rua sem saída, escapa e sai num bar esquecido. A verdade é que todo mundo tem uma escapatória bem guardada, de reserva, que às vezes nem o consciente sóbrio reconhece.

Flávia Andrade

junho 30, 2015

Pro Criolo

    Os bares estão cheios de pessoas tão cheias que transbordam e se derramam em seus copos. Parte dessa gente misturada com álcool é receita de freguês. Os bares estão lotados de amores não correspondidos, daqueles que custam três meses de destilados e dois anos de qualquer bebida correspondente ao tamanho das coisas sentidas. Não é segredo que todo bar tem um livro grande com uma história longa dentro de algum cliente silenciado pelos tumultos lá de fora, mas é enigma encontrar um alguém sequer sozinho e sóbrio que pare pra ouvir. Quem passa por perto diz que os cheiros incomodam, mas não reconhece o peso de cada tragada e a profundidade de cada gole, não vê que naquele cheiro todo tem odor de gente que já partiu, gente que só quis ficar um pouco e gente que ainda nem apareceu. Tem gole que limpa e suja, ao mesmo tempo, aquele gole certeiro que mata a angústia, mas atinge imediatamente a vontade de ligar pra quem não gostaria de atender. Os bares estão cheios de pessoas tão cheias de coisas não ditas e entaladas, que só aquilo que queima a garganta consegue descer. Os bancos e cadeiras sustentam almas perdidas em corpos que só imaginaram aquele endereço quando a disritmia emocional bateu, e sustentam com tamanho zelo que os pés não sabem se comportar depois, ziguezagueiam entrelaçando as pernas. Os bares não têm gente de alma vazia, Criolo, os vazios estão fazendo discurso em rede nacional. 

Flávia Andrade

abril 17, 2015

Mesa Para Egoístas


    Mesa para dois: apenas um fala. Das palavras todas, boa porcentagem é cansativa e ouço nada mais do que as erradas. A voz alheia se torna um defeito muito maior do que posso suportar nesta sexta à noite. A segunda voz é minha, coesa e plausível: a conta, por favor.

Flávia Andrade

outubro 01, 2014

Bem-vindo, outubro

Tenho dito: um mês só é bom quando as expectativas no primeiro dia são ruins. É como quando você diz: nunca mais, e no outro dia acontece de novo. Quando você desiste de procurar algo e isso aparece na sua frente repentinamente. Quando cansa de buscar alguém para amar e mesmo assim se apaixona. Quando tenta mudar e faz tudo igual. 
Silêncio sobre esse mês, ninguém comenta, ninguém espera, só acontece e daqui uns dias acaba.

Flávia Andrade

setembro 23, 2014

Não demorará muito, prometo. Mais alguns dias de nada, mais uns dias de "que diabos estou fazendo com a minha vida?", mais dias de "eu não faço a menor ideia", poucos outros de fuga, incontáveis imprevisíveis. Dias rápidos, vastos ou vagos passarão num piscar de olhos, não alcançarão o próximo ano, com sorte, nem dezembro. Leva tempo e o tempo se leva sozinho, você apenas vive o que uma decepção traz e a espera partir, sem táticas e planos, passa porque a vida tem mais a oferecer. 

Flávia Andrade

agosto 14, 2014

Com tantas cores quem é suficientemente acomodado na escolha de enxergar somente o preto e branco? Podemos nos conformar com risco no carro, maquiagem borrada, amor não correspondido. Mas por qual razão se conformar com a tormenta da melancolia? Quem pode ser monotonia ambulante?
É muito desperdício para os outros lados, estradas, rumos. São esnobes com as oportunidades aqueles que não se deixam levar por acasos, não tem, ao menos, o prazer de às vezes errar a direção. Seguem reto. 
Considere a vida toda uma literatura: Linhas retas estão aqui para serem escritas com suas fontes e tamanhos diferentes, o vazio delas nos convida para quebrar regras, sair da margem, apagar e até rasgar (se for o caso vândalo inocente). Linhas retas não merecem ser seguidas como são, precisam de mudança, letras desajeitadas, rabiscos espontâneos. 
Tudo tem milhares de opções. Por que estamos sempre aproveitando uma única e igual? Somos podres e desastrosos se somos assim. Não somos suficientes para nós mesmos, precisamos ir além.

Flávia Andrade

julho 20, 2014

Às vezes as coisas têm fim. Raramente. De resto, apenas viram poeira embaixo do tapete.
Quando você gosta mais de quando está longe, assim podendo imaginar loucuras e risos, planejar viagens, rios, e trilhas, querer abraços e cafunés. E odeia quando chega e o amor fica tão banal, com beijo frio, café sem sabor e vontade de dormir para sonhar algo muito melhor. 
Às vezes as coisas acabam porque sonhos são diferentes.
Às vezes as coisas acabam porque o fim esteve presente no início. Pois para ir em frente com uma situação, precisou desistir de outra.
Às vezes suas coisas acabam porque quem começou não foi você.

Flávia Andrade

Quem é esse mundo? Rendendo a própria personalidade em troca de atenção. Sendo igual ao mundo lá fora que se deu muito bem com tal pose, sendo sombra e reflexo. Quem é esse mundo que a mãe disse não ser? Vista-se direito, esse não é você! Esse mundo imita o jeito, o som e as palavras pra ver se a felicidade do outro vem junto. Ouça, meu filho: você não é todo mundo.

Flávia Andrade


Às vezes o amor aponta pra um certo alguém tão desigual e a vida desanda. As coisas velhas vão se desfazendo. A casa desmonta, pois o alguém muda cada canto. A dor antiga desmerece tamanho sofrimento. O falatório desenrola, o riso desembesta. 
E você pensa: será desamor? Como pode se no fim você só desfruta e não desapega? Façamos os verbos ao nosso favor.

Flávia Andrade

Menina, ajeite a saia e a coragem, retoque a maquiagem, a independência e o sorriso. Vamos dançar à luz do sol, pois é de dia que seus olhos brilham mais, então tire o óculos escuro e veja muito além daquela noite em que nada deu certo. Vá para longe do dia em que perdeu sua fé. Distancie-se da pessoa que arrancou à força sua felicidade. Só por agora construa um lugar calmo para você e o habite. Depois a vida toda é sua para respirar fundo e rir, resgatar boas lembranças, rejuvenescer a menina velha que não queria mais sair de casa. Não é hora de dar um passo a frente, passou da hora de olhar para um bom lugar e correr.

Flávia Andrade

Encha a cara, esvazie o coração. Só por essa noite. Tome álcool, tome ar, tome coragem. Obtenha o que há em bares, jantares e ruas, só não se apaixone. Não por agora. Escore nos cantos, calçadas e camas, mas não fique por muito tempo. Corra, fuja, volte com outro par de meias, outro rasgo na calça, uma camisa nova. Você sabe a que lugar pertence, mas errou na hora de se entregar. Então, estrague-se. Quebre, arranque, solucione na marra. Saia dessa, vá pra outra, luz que vira fumaça, copo que te faz rir, só uma vez e você volta livre em si. Conselho de amigo, encha-se de ilusões, esvazie o copo, isso não dura além do suficiente.

Flávia Andrade

junho 07, 2014

O jeitinho de uma pessoa, enjoadinho e cheio de fricotes é sempre lindo para um novo alguém que só a vê de longe. O jeitão daquele rapaz que não consegue controlar muito o volume da voz e pouco acerta nas piadas pode ser o grande encantamento da menina que foi rejeitada por ser muito quieta. O tique que incomoda aquele velho amigo há anos. A mania da filha. O vício do namorado. O excesso do pastor. O silêncio da amiga. Frases que não terminam sem um bordão. Poesias que não acabam sem clichê. Dedos estalando o dia todo. Braços cruzados até para um aperto de mãos. Cutucadas para chamar atenção. Gírias incômodas. Cabeça baixa. Olhos desesperados na mentira.
Há muitas pessoas sendo deixadas por seus "muitos". Seja muito exagerado, muito pouco, muito desatento, muito observador. Sejamos novos, renovados, reciclados, repensados. O jeito de alguém vai ser sempre novo para outrém. Não mude, não tente ser igual, apenas conheça e se aproxime de quem ainda não te viu.

Flávia Andrade

maio 30, 2014

Fechar os olhos sem medo e viajar para dentro de si.

Flávia Andrade

maio 27, 2014

Deixe o frio chegar, deixe-o se acomodar e tentar fingir que o dia é noite, deixe-o nublar o céu sem estrelas. Esse frio está só de passagem, menos ânimo, mais cobertores e logo ele vai embora. Deixe-o vir porque queremos reclamar. Queremos passar o dia repetindo que está frio. Queremos dizer que não temos ninguém. Queremos acusar que o café está amargo. Isso não parece com a vida? Deixamos pessoas frias entrarem (ou seríamos nós os frios?) Elas vêm querendo muito e estamos esperando pouco, mas deixamos porque já estava no caminho e parece mais confortável simplesmente deixar entrar. Então reclamamos que não é a pessoa certa, não gostamos dela, gostamos do que ela nos faz buscar: saudade de outra. É como o frio, seria péssimo se não procurássemos casacos quentinhos para usar. Deixamos a janela aberta para o frio, a porta aberta para quem não é capaz de nos provocar amor. Estamos então com o frio e a pessoa-não-amável por perto, consequentemente agasalhados e devaneados pensando em alguém que nos faria mais felizes, em um sol que traria mais contentamentos.

Flávia Andrade
As pessoas se apaixonam por pouco, e aos poucos se encantam por muito e antes que possam perceber, lá estão elas apaixonadas por muito do mínimo e cada detalhe da pessoa é uma deixa de adoração. Pode entender isso?

Flávia Andrade

junho 16, 2012

Para que ninguém possa ver


   O sorriso engana a verdade guardada nos profundos olhos, as lágrimas acendem-se como fogo árduo, mas o sorriso batalha para brilhar tanto quanto o sol e ele mente... O dia mente os sentimentos por entre as linhas, torna nossa página em branco do dia que há de vir em puros rabiscos, faz traços amontoados e tropeça em suas próprias retas; Enquanto a noite, a amarga cor do céu que apaga o sorriso fingido, mantém o que o sol fez-se esquecer e mostra-nos a verdade mesmo na escuridão. Há inspiração na face desfocada de quem chora, mas não há brilho na mente tumultuada daquele que esconde o que sente.
   Escrevo sobre o que transborda aqui dentro e se guardo, minhas palavras tomam um próprio e fiel rumo, adquirem força apenas para fugir. Fogem para folhas sem linhas e simplesmente despedaçam. Conte, o que pensa e sente, compartilhe da sua forma, seja ela singela ou complexa. Guarde suas folhas escritas, e não suas palavras e não sua arte e não o que transborda do âmago.

Flávia Andrade

maio 26, 2012

Bagunça ao cubo

O nada.
O amor.
O tudo.
Necessariamente nessa ordem.
(Talvez volte para o nada algum dia)
Quando você ainda não amou alguém
(desesperadamente)
tudo é nada.
Nada é louco,
nada é diferente,
nada é bobo,
nada é esse mimimi de amar.
E de repente: Um amor
correspondido ou não
surge!
E teu nada vira tudo
tudo ao quadrado ou ao cubo
tudo alterado, bagunçado
desconfigurado e tumultuado.
É simplesmente assim
simples é o amor
(não teime!)
ele é simples.
Amar é que é complicado.

Não sabe escrever sobre o amor aquele que ama
e somente quem ama é quem tenta escrever sobre amor
logo amor não é possível ser escrito, descrito
nem paginado ou guardado em livros.
O amor acomoda-se entre a gente
chega invadindo o "eu e você"
 permanece implícito no "nós"
e carinhosamente guardado na gente.

 E não há necessidade dele ser definido
ele simplesmente está e estático fica onde estiver.
Amar é o que complica
pois ninguém sabe para onde o amor quer ir
ninguém sabe levá-lo flutuando pelo coração
pela vida e pelo o próprio caminho
todos tem a necessidade de complicá-lo e não dedicá-lo.

 Nós nos esquecemos de tomar o nosso próprio amor
 nosso próprio rumo
 pois ficamos esperando o amor de outro alguém
queremos trocas quando algo tão valioso
(wait for it)
pode ser apenas nosso!

Complicamos sim.
Amores vem e se vão
mas nenhum acaba
amor é tudo
e às vezes o tudo toma outro rumo
compra uma casa nova
para preencher o nada de outro alguém.
Alguns amores ficam no vai-e-vem
e outros, às vezes, nem sabem
onde estão
mas estão lá, eles sempre estão.
Os amores estão em nós
(os laços são para filmes românticos)

Flávia Andrade


maio 19, 2012

O que ele não quer que você sabia

   Se ele não se importa, não chama, não liga, nem reclama do seu sumiço proposital. Se ele não pensa em você, não adianta tentar pensar o suficiente pelos dois. Se ele só te quer onde ninguém vê, não merece ser visto por você. Ficar acordada chorando a madrugada inteira não fará com que ele apareça na sua janela dizendo que te quer. Mas talvez ele ligue qualquer noite para te usar. Você não é intervalo de tempo entre futebol, outras mulheres, amigos e trabalho. Você não é consolo de carência imediata dele. Você não é mendiga de amor e compreensão. Você é bem melhor que isso somente por se importar. Você é melhor que isso simplesmente por esperar de outras pessoas o que você tanto faz por elas. O que você tanto fez por ele! Você pertence a algum lugar melhor em outra direção, longe desse caminho torto para qual ele o levou em certo dia de desespero. Certo dia de diversão. Ande para longe do que te faz mal, corra para o que te preencha, pois ele só vem te esvaziando, fazendo com que você desperdice sentimentos. Guarde-os para quem mereça.

Flávia Andrade
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